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O AMANTE DA NATUREZA

 

ecologia
Créditos: © Romolo Tavani / Fotolia

 

 

Sustentabilidade é o assunto em pauta. Cada vez mais caminhamos à criação de uma conscientização universal relativa ao assunto, vital para a nossa sobrevivência e existência, mas também capaz de gerar polêmicas e discussões diversas. A ecologia merece, então, um espaço especial no “LITTERAMUNDIS”; pois se não nos preocuparmos com o meio ambiente, com a ecologia, com um modo de vida mais responsável, iremos em direção à nossa própria extinção como espécie e levaremos simultaneamente outras centenas de milhares de espécies.

 

Nessa sessão minha proposta é explicar a importância de cada gesto e cada ação feita por nós e os seus respectivos impactos num contexto mais abrangente. Irei propor dicas e algumas mudanças de hábito que podem fazer toda a diferença num cenário global, como, por exemplo, dicas de como consumir com sabedoria e responsabilidade, como reduzir a nossa produção de lixo, como reduzir a utilização de produtos nocivos para o ambiente e assim por diante. E, ao mesmo tempo demonstrar que podemos salvar o planeta sem precisarmos adotar medidas drásticas ou dificilmente realizáveis; sou e continuo sendo um defensor das “pequenas coisas”, dos “pequenos gestos” que causam grandes efeitos.

 

Igualmente, outro objetivo central é de mostrar que, ao mesmo tempo em que aplicamos medidas que ajudam a melhorar as condições da natureza e dos ecossistemas em geral, nós, seres humanos conseguimos levar uma vida mais saudável, consciente, respeitosa não apenas conosco, mas para com todos os outros indivíduos do planeta. Ser ecológico não é apenas cuidar da natureza e do outro e sim cuidar dos nossos corpos, mentes e espíritos, e os resultados serão incrivelmente amplos.

 

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O SONHADOR

dreams
Citação de Walt Disney. Tradução:  “Se consegues sonhar, consegues fazê-lo

 

“Era um dia chuvoso, melancólico e ao mesmo tempo inspirador para os amantes. Mas para ele era um dia triste, sombrio, pois sabia que ao terminar seu árduo dia de trabalho no escritório tinha um outro dever: visitar seu pai moribundo no hospital, este pai que caminhava cada vez mais em direção à morte. Tristeza e confusão dominavam sua mente e seu coração naquele dia cinzento, o fato de ver seu pai deitado naquela cama de hospital, ver o brilho dele ir embora aos poucos, vendo sua luz se apagando lentamente como a chama de uma vela que está chegando ao fim.

 

Despediu-se de seus colegas de trabalho e numa rapidez assustadora preparou suas coisas para se dirigir ao hospital. Porém, sentou-se novamente em seu escritório, pensou, hesitou… Uma hora se passou, o tempo necessário para criar uma certa coragem de visitar seu pai, ou pelo menos o que restava dele, longe de ser o homem do qual ele se recordava juntamente com suas memórias de infância… O sorriso que ele via no rosto a cada vez em que fechava os olhos já não estava mais presente, e isso deixava-o completamente magoado e perturbado. Dominado e carregado por uma tristeza sem tamanho.

 

No caminho do hospital enquanto dirigia se recordava das lembranças e memórias de cada momento que tinha vivido. Lágrimas escorriam devagar de seus olhos, lágrimas que ele tentava enxugar e esconder, sem êxito, pois novas escorriam quando pensava naquele homem. Sabia que a morte de seu amado estava perto, e que logo mais a Morte o levaria, por isso não conseguia controlar suas emoções e mesmo quando pensava nos bons momentos, apenas a tristeza vinha a seu encontro.

 

Algo lhe dizia que aquela noite seria a última em que teria a oportunidade de ver seu pai, misteriosamente ele sabia, os médicos não tinham anunciado nada, mas no fundo de seu coração ele sabia: aquela seria a última vez que presenciaria a presença viva de seu querido genitor. E isso o deixou incrivelmente entristecido, perdido e desolado… Mas ele também era dotado de uma razão e de uma certa conformidade em relação à realidade, para ele toda vida chegaria a um fim, cedo ou tarde, tudo seria carregado pela Morte.

 

– Boa noite meu velho! Disse com uma voz trêmula e sorriso falso e efêmero que estampava seu rosto.

 

– Meu querido filho, como é bom te ver. Os médicos me falaram que o momento em que eu encontrei a paz eterna está se aproximando. Seria muito te pedir para passar esta noite comigo? Sinto que será minha última. Disse o pai com um tom calmo e passivo; ele já tinha aceitado seu destino e estava preparado para partir de sua vida terrestre e abandonar sua carcaça humana. Não digas asneiras pai! Os doutores de nada sabem, o senhor não partirás esta noite…

 

– Não são os doutores, meu caro filho e companheiro, sinto que o fim desta vida está próximo, e pronto para aceitá-lo. Não quero que me veja morrer, gostaria que ficasse aqui porque ainda tenho um último conselho para te dar, se você estiver disposto a me ouvir, obviamente…- tossiu e pediu para seu filho um copo de água e um cigarro.

 

– Pai, estamos no hospital, não podes fumar aqui…

 

– Filho querido, minha vida foi feita de tantas proibições e restrições, você não deve negar a um velho moribundo seus últimos desejos de sua vida!

 

– Aqui está pai, tua água e teu cigarro… Serei desaprovado pela equipe médica por isto. Velho tolo!

 

– Viu como sabe que é minha última noite? Você não hesitou em me acender este cigarro, mas vamos direto ao ponto porque não tenho muito tempo pela frente e você precisa voltar para sua esposa e para seus filhos.

 

– Diz então, pai, o que tens de tão importante a falar?

 

– Meu filho, sempre te aconselhei, te eduquei e tentei de tudo fazer para que você se tornasse essa pessoa que é hoje, porém de todos os meus conselhos eu me esqueci do mais importante, por isso ainda estou em vida, só poderei em paz partir depois de lhe dizer o que preciso.

 

– Estou inteiramente à tua escuta meu velho e amado pai…

 

– Responda-me filho, quais são os grandes males do mundo em que vivemos?

 

– Pai…

 

– Apenas responda…

 

– Acredito que são as guerras, os conflitos, os malfeitores, as tragédias, os desentendimentos, as descrenças e os descrentes.

 

– Claro! Você está certíssimo meu filho, existem outros problemas, mas você me disse os principais… Saberia então me falar qual é a solução para todos estes males?

 

– Não posso falar nada a este respeito, pois desconheço qualquer solução para tais problemas. Posso ser ousado e dizer que a única solução seria o ressurgimento do mundo, pois não há nenhuma possibilidade de mudança para curar todos estes males…

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O ATIVISTA

 

together
Tradução: “Unidos venceremos, divididos cairemos”

 

Ativismo: “pode ser descrito como qualquer doutrina ou argumentação que privilegie a prática efetiva de transformação da realidade em detrimento da atividade exclusivamente especulativa”.

 

Ativista: “pessoa que trabalha de modo ativo por uma causa; pode referir ao ativismo ou à pessoa partidária do ativismo; que exerce a militância por uma causa”.

 

Lutas e batalhas são travadas diariamente em todas as partes do mundo por pessoas provenientes de culturas distintas e visam melhorar a sociedade na qual vivem. Aqui está a qualidade que mais respeito e prezo no ser humano, a vontade de fazer mudanças e esta é, de fato, uma característica primordial.

 

Felizmente, nos últimos tempos, tenho observado a união entre os indivíduos cada vez mais forte e presente. A compaixão e a compreensão por uma determinada causa não se restringem apenas a um determinado grupo de pessoas ou fatia da sociedade. Posso observar, a título de exemplo, pessoas que militam por causas que não os concernem diretamente, que defendem e lutam pelos direitos dos refugiados e imigrantes sem fazerem parte destas condições.

 

Posso observar uma conscientização de massa que me mostra que não é porque eu não sou um refugiado ou imigrante que não posso militar e lutar pelos mesmos. Não é porque eu não seja uma mulher que eu não possa a elas me aliar para lutar pelos seus direitos e espaços dentro na sociedade, não é porque eu seja negro ou mulato que não eu possa militar pelos seus direitos. Resumindo, posso atuar e ser ativo em várias frentes que não me tocam diretamente. Isso mostra de uma certa maneira o fim de um egoísmo onde eu lutaria apenas por aquilo que me diz respeito.

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O MUNDO ATRAVÉS MEUS OLHOS

OLHOS
Crédito foto: João Guilherme Pozzi Arcaro

Uma insólita autobiografia….

A proposta dessa sessão é apresentar ao público uma autobiografia expondo fatos e acontecimentos que me marcaram durante minha trajetória. Mostrar a influência e importância de cada uma das experiências pessoais e profissionais na formação do meu “ser”, da minha forma de pensar e agir. Tenho a convicção de que a vida é feita de momentos, ações completadas ou não, enfim, que a personalidade e a formação de uma pessoa são de fato o aglomerado de lembranças que nos conduz a desenvolver um determinado “modus operandi” no interior da sociedade na qual vivemos e participamos ativa ou passivamente.

 

Uma autobiografia onde não irei abordar cada uma destas experiências de forma cronológica, pois fatos marcantes acontecem a todo momento e, por isso, devem ser compartilhados conforme a inspiração do momento. Desejo dividir meus elementos biográficos com o público para facilitar, de certa forma, não apenas a leitura e compreensão de meus escritos, mas, igualmente, fazer com que o público entenda minha forma de racionalizar, observar e viver no mundo.

 

Por esta razão, convido os leitores a participarem comigo com suas experiências e pontos de vista, pois, cada indivíduo tem um olhar específico e único do mundo em que vive. A questão que será aqui exposta está longe de ser baseada em julgamento de valores ou opiniões tendo em vista que uma sociedade pode sim ser unida em sua diversidade. Por isso o respeito da opinião alheia é primordial para o bom funcionamento desta sessão.

 

Vivemos em um mundo onde não há tempo para debater, discutir e criar espaços dedicados ao diálogo, nos contentamos em ler a primeira página de um jornal, ou unicamente ouvir a chamada dos telejornais durante os comerciais da novela ou de nossos programas prediletos. Não somos capazes de dividir nossas felicidades ou nossas angústias, vivemos em uma sociedade que não nos permite dizer “não estou bem”, não há espaço para tristeza, não há tempo para ouvir a dor do outro e confortá-lo. Paradoxalmente, passamos horas e horas nas redes sociais publicando fotos daquilo que fazemos ou que estamos fazendo naquele exato momento, há tempo para imagens, para máscaras e fachadas; uma foto com um sorriso e todos acreditam que tudo está bem evitando-se desta forma qualquer diálogo. Nos afirmamos constantemente, mas nunca deixamos o outro entrar em nossas vidas.

 

Estamos nos tornando cada vez mais individualistas. Nos contentamos – infelizmente, ouso dizer – em viver de aparências. Então proponho-me a relatar a vocês minhas experiências, “O MUNDO ATRAVÉS MEUS OLHOS” no intuito de ir além das imagens e entrar na profundeza da essência de um ser e de um estar…

Quem sabe desta maneira não conseguirei – eventualmente – motivar e incentivar mais e mais pessoas a repartirem suas vivências?

 

 

 

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A proposta de um romântico sonhador

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Biblioteca Real Gabinete Português de Leitura. Crédito foto: Edu Mendes

SEJAM TODAS E TODOS BEM VINDOS AO UNIVERSO “LITTERAMUNDIS”!

   

O projeto “LITTERAMUNDIS” (do latim: Mundo Literário) nasce para trazer um novo espaço de debate, discussão e propostas com ênfase romântica, poética e literária, dialogar com todos que desejam construir e viver num mundo melhor. Um local dedicado ao compartilhamento de experiências e opiniões diferentes que nos levam à reflexão sobre nossas ações e seus impactos, nossas essências e existências, sobre quem fomos, quem somos e quem desejamos nos tornar. A convivência mais harmoniosa em nossas vidas cotidianas, nos grupos dos quais participamos e, de forma mais “ambiciosa” em nossa sociedade, é o que pretende este espaço.

 

Temas de diferentes naturezas com uma forte responsabilidade e engajamento serão colocados em pauta: literatura, poesia, ecologia, estilo de vida e reflexões filosóficas e sociológicas. Transformar nossos sonhos e ambições de uma vida melhor em realidade; com dicas simples e facilmente realizáveis, busco mostrar-lhe, cara leitora, caro leitor, que podemos melhorar e aprimorar nossas existências.

 

Tenho a grande ambição de defender e demonstrar a tese de que com simples atos é possível atingirmos um estilo de vida melhor e que com pequenas mudanças e autorreflexão podemos, sim, melhorar o que já existe, transformar nossas vidas e criar aquilo que ainda não foi criado. Acredito no poder das palavras, da troca das mesmas, da construção de um diálogo, debate, discussão e do compartilhamento de ideias e ideais distintos.

 

Não é necessária “genialidade”, grande poder de influência ou mesmo forte capital financeiro para fazer a diferença no mundo. Cada pequeno trabalho, por mais banal que seja – ou até mesmo que nos pareça insignificante – causa grande impacto em um “todo”. Se aceitarmos esta ideia, perceberemos que dentro de uma sociedade o papel que cada ator social realiza é de vital importância.

 

Como se a premissa fosse verdadeira, não somos os “Einsteins, Platões, Sartres, Marxs, Lockes, Victor Hugos, Chaplins, Schindlers, Suassunas, Dumas, Saramagos, Machados”, entre outros gênios, escritores e defensores de minorias; personalidades que mudaram o mundo e influenciaram gerações com o legado de suas obras, que perdurará por toda a existência da Humanidade. Porém, não precisamos possuir estas “genialidades” nem realizar grandes feitos altruístas para fazermos a diferença no mundo em que vivemos.

 

Não consigo pensar na grandeza e na veracidade de uma das maiores Leis Naturais que foi desenvolvida por Sir Isaac Newton. Refiro-me à sua Terceira que nos diz que “toda ação acarreta uma reação” e, obviamente, não entrarei no aspecto da Física. Sirvo-me desta Lei para ilustrar apenas meu propósito de que cada ação humana leva de fato a uma reação.

 

Por isso deixo aqui uma primeira reflexão. Se queremos um mundo melhor e mais justo devemos praticar o altruísmo, o desapego, o desinteresse ou o egoísmo, a ganância e o interesse?

 

Nossas ações recentes ou antigas fazem parte do primeiro ou do segundo grupo a cima citados? Nossas ações ultimamente causaram reações boas ou ruins?

 

Convido-lhes a fechar os olhos por alguns minutos e refletir sobre estas questões, sobre as ações que vocês, cara leitora, caro leitor, realizou ultimamente…

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MUSA DO VENENO

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Crédito imagem: Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

“Parece uma rosa
De longe é formosa
É toda recalcada
Alegria alheia incomoda

Venenosa!

Erva venenosa
É pior do que cobra cascavel
Seu veneno é cruel”

 “Erva venenosa” – Interpretada por Rita Lee; Compositores: Jerry Leiber / Mike Stoller

 

Como se não bastassem os outros eventos e acontecimentos dessa longa semana, acredito que o assunto sobre qual irei tratar agora é de uma extrema importância para nossas vidas, para cada um de nós… A hora de entrar em pânico chegou! Neste fim de ano, com um governo recém eleito, temos de um lado um Congresso se aproveitando de seus últimos dias ( principalmente para aqueles que não conseguiram suas reeleições) e também de baixíssima popularidade do Presidente Michel Temer para que se aprovem “pautas bombas”, em outros termos, leis e modificações são votadas todos os dias numa velocidade jamais vista antes naquilo que chamamos de “governo transitório”. De fato, as pautas que estão sendo votadas e aprovadas estão se apoiando fortemente na impopularidade do “Senhor do Jaburú”. Ora, por que isso está acontecendo?

É mais fácil aprovar pautas que são – digamos – “impopulares” quando o líder do governo também desfruta de tal impopularidade, fazendo desta maneira uma transição para um novo governo que terá um único argumento para sua defesa “isso foi votado no governo precedente, não no meu, tá ok?”. Todavia, o governo que irá assumir o país no dia 1º de janeiro de 2019 não poderá se servir deste pretexto para justificar sua escolha para o Ministério da Agricultura, a Deputada Tereza Cristina Dias, popularmente conhecida como a “Musa do Veneno”, líder da Bancada Ruralista na Câmara, filiada ao partido DEM.

Não entrarei em detalhes sobre a biografia desta senhora, nem das recentes e não tão recentes acusações que lhe foram acordadas em escândalos de corrupção e outras polêmicas. Vou ater-me as palavras e aos projetos desta senhora, e principalmente sobre seu apelido “A Musa do Veneno”.

A deputada foi de fato  a principal articuladora e responsável pelo projeto de lei nº 6.299/2002, que regulamenta o processo de registro de agrotóxicos no Brasil; em outras palavras um projeto que visa a afrouxar o uso indiscriminado e inconsciente de agrotóxicos no Brasil. A lei anterior que regularizava esse mesmo uso – já era bem falha, convenhamos – agora está mais fragilizada ainda. Claro, existem os grandes latifundiários e defensores do agronegócio que estão vibrando com esta nossa lei e com a indicação da Deputada para o Ministério da Agricultura, assim como empresários – que fabricam agrotóxicos – e nós, como cidadãos e consumidores? Como ficamos? Como devemos reagir face a tal lei e a tal indicação ministerial pelo recém-eleito Presidente Jair Bolsonaro?

Nossa “tolerância” no que se refere ao uso de agrotóxicos no Brasil é 5 mil vezes mais elevada do que a que é permitida pela União Europeia! Não duas, ou três vezes maior, mas sim, 5 mil vezes maior! As consequências desta mudança podem não nos afetar diretamente num período a curto prazo, mesmo que em alguns lugares do Brasil, já existem casos de fetos acefálicos, deformações genéticas, um crescimento radical de certos tipos de câncer que afeta principalmente os trabalhadores rurais, os operários das usinas de fabricação de veneno; e obviamente, os consumidores, vocês, eu, nós!

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OLHARES CRÍTICOS E INDISCRETOS

OLHAR lena gal
Obra:”Hesitação no olhar” por Lena Gal -Acrílico sobre tela
76 cm x 67 cm

 

Seria impróprio confundir a vida e a arte?

Inconveniente ao dizer que o romance é uma condenação?

Afirmar que a busca por desejos e sensações de prazer é imoral?

Vaidade ou hipocrisia? Essas renúncias consistem em arrependimentos?

Talvez essas renúncias possuem origens nas mais puras vaidades.

Talvez.

Mas são essas vaidades que nos tornam humanos.

Cada capítulo da história parece conter textos altamente codificados, dada a necessidade de segredos e precaução.

Parecendo que um segredo guardado está conduzindo o sujeito a uma vida dupla cheia de enigmas.

Podendo ser mistérios profundamente extraordinários e belos, ou mistérios que aos olhos da sociedade tradicionalista, não passa de uma insanidade depravada.

Mas oras, porque politizar ou julgar como inadequado um romance?

Toda forma de amor deveria ser respeitada.

Todos os olhares críticos e indiscretos deveriam deixar de existir.

Todas as palavras malditas e comportamento de abominação deveriam ser reconhecidos como insanidade mental.

Depois de anos de submissão, de aniquilamento das diferenças, é um dever do ser humano, é um dever social proteger a diferença contra a ignorância e imbecilidade dos corações cheios de ira.

É essencial pregarmos o amor e não o ódio.

Pregar a paz, e não criar um ciclo vicioso de vingança.

Aprender com as nossas diferenças, e respeitar os próximos como eles são.

Quanto mais lidamos como a intimidade de alguém, mais lidamos com seu sofrimento.

Já basta! de sofrimentos, escândalos, acusações e mortes.

O que nossa alma precisa mesmo é de um pouquinho de paz.

 

 

Por: Bheatriz Britto – 06/11/2018 – Campinas, SP – Brasil

Soneto I: ” Gota a gota”

Música: Sarabande de Handel

 

“Lá fora caíam gotas de chuva

Lá dentro escorriam gotas de sangue.

Fora fazia frio e a névoa imperava,

Dentro estava abafado, quase insuportável.

Linda e jovem mulher, na cama deitada

De seus olhos escorriam lágrimas de tristeza.

O senhor que sobre ela se deliciava,

Ah! Dele escorriam gotas de suor e prazer!

Pele de seda, ingênua, e fadada a um destino

não de fada, mas de prostituta.

Sempre lá dentro, servindo o senhor; como a maioria d suas órfãs amigas.

Gotas de sangue vermelhas, logo se tornavam pretas

com uma só facada ela tirou a vida;

Daquele que dela abusava em troca de uma, ou três…moedas de prata.”

 

 

 

J.G.P.A – 05/11/2018 – Americana, SP – Brasil

“Ervas daninhas: descartes da sociedade”

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“Alice e José” – Crédito foto: João Guilherme Pozzi Arcaro

    Numa manhã ensolarada de primavera, em uma cidade do interior de São Paulo, tudo ocorria dentro da normalidade – ou pelo menos daquilo que os habitantes de tal lugar consideravam como sendo “normal” – os adultos saíam para trabalhar, as crianças dirigiam-se para suas escolas. Tudo funcionava conforme a norma: os cheiros de café e pão fresco exalavam das padarias; o trânsito pouco a pouco se intensificava, barulhos vindo dos carros ou das vozes sonolentas formavam uma perfeita sinfonia, claro se você tivesse o ingresso para participar de tal concerto, o que de fato não era o caso de Alice e José.

 

    Este casal – que não possuía um carro, nem um emprego – ficou de fora da harmonização robótica do comportamento socialmente aceitável, que era realizado de forma mecânica pelos outros indivíduos. Viviam assim, às margens da sociedade, seres quase invisíveis, imperceptíveis e inaudíveis, porém tanto Alice quanto José existiam, eram dois seres humanos, de carne e osso – como você, como eu – mas não tinham os requisitos para serem vistos ou notados; sem carro importado nem roupa de marca, assim deambulavam pela cidade. Eles tinham um destino certo: o cemitério da Saudade.

 

    Um lugar onde nós temos costume de realizar o processo de limpeza e esvaziamento de nossos mortos, tudo aquilo que não queremos ver, pois não possui mais vida, colocamos dentro de um buraco, para que fique lá escondido e se decompondo lentamente, longe do alcance de nossa visão. Às vezes vamos ao cemitério levar uma ou duas flores, rezamos ou fazemos qualquer gesto simbólico em memória daqueles que nos deixaram. Mas cemitérios são lugares abandonados, malcuidados, deixados à deriva; um sítio de História e esquecimento ao mesmo tempo.

 

    As ervas daninhas cresciam por toda parte, sob(re) os túmulos, nas estreitas veredas do cemitério. Alice e José acharam o lugar onde pudessem se encaixar mais facilmente dentro da sociedade: estando fora dela, junto aos mortos e às ervas que ninguém se preocupava em cuidar, nem as remover. Deitaram-se sobre um dos túmulos como se fossem reis e rainhas, e às sombras da sociedade, fora do campo de visão dos robôs que marchavam para se dirigirem às suas rotinas, Alice e José eram donos daquele pequeno espaço, onde se bronzeavam e aproveitavam o sol. Não eram ervas, não estavam mortos, mas lá, deitados acima de alguns defuntos fumavam em paz suas próprias ervas…

 

ERVA
“Ervas daninhas” – Crédito foto: João Guilherme Pozzi Arcaro

(R) – (E)X(S)ISTIR

ARESIS
Artista desconhecido

 

Abaixes tua arma que está

na minha cabeça apontada.

Eu vim apenas conversar,

deixes de lado tua raiva.

Tuas ideias cruéis, espalhadas por coronéis,

não entram na minha ética e

ferem minha rima poética!

Tentes me derrubar, tentes me calar,

me levantarei e jamais me calarei.

Tua arma é de fogo, a minha:

de papel e tinta!

Tua luta é xingar, humilhar, matar e exterminar!

A minha é escrever e iluminar.

 –

Teu capitão é covarde,

cria alarde, protegido por tropas; já eu

sou protegido pelas estrofes.

Tua arte é a guerra, a minha é a PAZ!

Teu voto de desespero, hoje está perdoado,

pois eu e aqueles que estão ao meu lado

lutaremos também por tu! Por isso, não te sintas culpado.

Nosso movimento é grande,

nossa resistência é para a existência;

não a minha, não a tua, não a dela, não a dele,

mas a de TODAS e TODOS!

Resisto, respiro, assim posso continuar a existir,

jamais desistir!

Tu tens ódio onde eu tenho amor.

Tu tens medo onde tenho coragem.

Não preciso de capitão covarde,

sem alardes, apenas escrevo e faço minha arte.

Minha arte é minha resistência:

A ESSÊNCIA DA MINHA EXISTÊNCIA!

 

J.G.P.A – Americana, SP- Brasil – 31/10/2018

 

“AUGUSTO”

Augusto COMTE
Auguste COMTE – Crédito imagem: Hulton Archive/Getty Images

 

“Comte-me” como resistir

“Comte-me” como existir

“Comte-me” como viver

“Comte-me” tudo que preciso saber.

“Comte-me” sobre o Amor

“Comte-me” sobre a Ordem

E ensine-me sobre o Progresso.

“Comte-me” tudo que preciso saber,

para que nesses tempos sombrios

eu possa continuar a existir,

para que nesse futuro nebuloso que jaz à minha frente.

Que eu possa ter o Amor por princípio.

que eu possa ter a Ordem por base;

que eu possa ter o Progresso por fim.

Augusto, “Comte-me”, ajude-me, guie-me,

“Comte-me” sobre o Progresso e como alcançá-lo,

Comte-me” sobre a Filosofia,

“Comte-me” sobre o Positivismo,

“Comte-me” onde eu posso granjear forças para lutar e resistir.

Apenas, “Comte-me” tudo que preciso saber,

“Comte-me” sobre seus ensinamentos, Augusto.

“Comte-me” como permanecer vivo,

“Comte-me” como progredir,

“Comte-me” como eu possa me tornar um Positivista,

um ativista e um Progressista.

“Comte-me” tudo, e em retorno lhe prometo

que eu mesmo “Comtarei” aos outros o que com você aprendi!

“Comte-me” como resistir

“Comte-me” como existir

“Comte-me” como viver

“Comte-me” tudo que preciso saber•

 

J.G.P.A – Americana, SP – Brasil – 29/10/2018

 

SORRISO DOS SONHOS

TWO LOVERS AND A CAT
                          Crédito foto: João Guilherme Pozzi Arcaro –  Pádua, Itália – 18/08/2018                               Título: ” Two lovers & a cat & a bird & a hat”

 

 

“Quando meu olhar em você se repousou

pela primeira vez, não muito notei,

apenas observei.

Vi beleza, vi grandeza, vi o que era visível

aos meus olhos, superficialmente.

Lembro-me desse primeiro olhar,

mal sabia eu que, lhe olhar aquele dia,

mudaria para sempre o sentido da minha visão.

 

 

Quando meu olhar em você se repousou

pela segunda vez, muito notei, muito observei.

Dominado pela dúvida, desarmado e ajoelhado,

quase curvado fiquei.

Muito imaginei, mas também me perguntei:

“que chance teria eu  com alguém igual a você?”

Terna e bela, abastada de tanta sapiência e decência;

joia rara do mar Egeu, apenas um deus poderia ter o direito

de desfrutar de tanta perfeição e paixão!

 

 

Quando meu olhar em você se repousou

pela terceira vez, confesso que me apaixonei.

Seu sorriso me laçou, de longe senti seus braços

que me abraçavam e confortavam.

Não tinha vocabulário para prosear com você,

então mudo fiquei. Apenas respondi ao  seu sorriso,

sorrindo.

 

 

E assim percebi que tudo era um sonho,

uma utopia platônica, uma paixão impossível, irrealista.

Mas eu sabia também que, para desfrutar de tal sentimento,

bastaria que eu fechasse meus olhos e imaginasse.

Nessa imaginação, um mundo criei para você, 

um mundo que você dividia comigo, sorrindo.

 

 

Sorrisos e alegrias, à beira do mar,

no alto da montanha, não importava o lugar,

pois lá você estava, comigo.

Tudo era mágico, belo e verdadeiro.

Daquele sonho eu não queria sair,

não queria acordar e voltar para essa realidade.

Hoje, meu olhar em você se repousa, não pela quarta,

nem quinta ou sexta vez, mas infinitamente nos meus sonhos.

Porém, fora do mundo dos sonhos, de volta à realidade

eu sei: que nosso amor nunca poderá acontecer…

 

J.G.P.A –  19/10/2018 – Americana, SP – Brasil