SORRISO DOS SONHOS

TWO LOVERS AND A CAT
                          Crédito foto: João Guilherme Pozzi Arcaro –  Pádua, Itália – 18/08/2018                               Título: ” Two lovers & a cat & a bird & a hat”

 

 

“Quando meu olhar em você se repousou

pela primeira vez, não muito notei,

apenas observei.

Vi beleza, vi grandeza, vi o que era visível

aos meus olhos, superficialmente.

Lembro-me desse primeiro olhar,

mal sabia eu que, lhe olhar aquele dia,

mudaria para sempre o sentido da minha visão.

 

 

Quando meu olhar em você se repousou

pela segunda vez, muito notei, muito observei.

Dominado pela dúvida, desarmado e ajoelhado,

quase curvado fiquei.

Muito imaginei, mas também me perguntei:

“que chance teria eu  com alguém igual a você?”

Terna e bela, abastada de tanta sapiência e decência;

joia rara do mar Egeu, apenas um deus poderia ter o direito

de desfrutar de tanta perfeição e paixão!

 

 

Quando meu olhar em você se repousou

pela terceira vez, confesso que me apaixonei.

Seu sorriso me laçou, de longe senti seus braços

que me abraçavam e confortavam.

Não tinha vocabulário para prosear com você,

então mudo fiquei. Apenas respondi ao  seu sorriso,

sorrindo.

 

 

E assim percebi que tudo era um sonho,

uma utopia platônica, uma paixão impossível, irrealista.

Mas eu sabia também que, para desfrutar de tal sentimento,

bastaria que eu fechasse meus olhos e imaginasse.

Nessa imaginação, um mundo criei para você, 

um mundo que você dividia comigo, sorrindo.

 

 

Sorrisos e alegrias, à beira do mar,

no alto da montanha, não importava o lugar,

pois lá você estava, comigo.

Tudo era mágico, belo e verdadeiro.

Daquele sonho eu não queria sair,

não queria acordar e voltar para essa realidade.

Hoje, meu olhar em você se repousa, não pela quarta,

nem quinta ou sexta vez, mas infinitamente nos meus sonhos.

Porém, fora do mundo dos sonhos, de volta à realidade

eu sei: que nosso amor nunca poderá acontecer…

 

J.G.P.A –  19/10/2018 – Americana, SP – Brasil

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MULTIDÃO

nascimento-de-venus
O Nascimento de Vênus (1484 e 1486) de Sandro Botticelli

 

“No meio de tantas faces e formas,

entre todas as sombras e imagens,

dentro da multidão, um brilho na escuridão.

Essa luz que brilhava e atraía minha atenção,

esse brilho robusto e formoso, belo e inquieto.

No meio de tantas pessoas e seres,

dentre todas as ilusões e mentes,

dentro da multidão, um brilho na escuridão.

Luz divina, luz de beleza

Ó céus, quanta grandeza!

Causadora de invejas e desejos

entre todos os guerreiros, de Tróia à Esparta;

Muitos levantariam suas espadas,

para desfrutar de tamanha presença.

No meio de todos e todas,

entre princesas e rainhas, príncipes e reis,

você cintilava, iluminava toda aquela multidão.

Luz infinita, chama eterna,

você era terna e bela.

No meio da multidão,

clarão, trovão e confusão; quebrando a escuridão,

silenciando o silêncio.

Deusa grega, deusa romana,

deusa de todas as crenças e religiões;

E eu? Pois bem, de longe lhe observava,

sendo aquilo que sou e sempre fui,

um mero mortal face à sua beleza imortal.”

 

 

 

J.G.P.A – Americana, SP – Brasil – 04/09/2018

RECEITA SIMPLES

 

Amar sem medo, viver sem receio.

Apaixonar-se sem limites, viver o instante,

deixando de lado tudo aquilo

que torna o amor impossível.

Viver sem amar, não é viver,

é apenas existir, como uma pedra,

no topo daquela montanha fria e distante.

Apaixonar-se sem temer, sem sofrer.

Viver de amor, alimentar o coração

do mais puro sentimento, sem impor condição!

Amar é possível, amar é necessário; é um imperativo.

Amar, dançar, cantar, sorrir,

transbordar de alegria, encher-se de poesia.

Amar: o segredo para ver o sol RAIAR!

 

J.G.P.A – 09/10/2018 – Americana, SP – Brasil

 

 

O TEMPO DA DANÇA

 

 

Em tempos de ódio,

lhe trago amor.

Em tempos de desespero,

lhe ofereço um berço.

Pode ser pouco, pode não ser suficiente,

mas lhe trago esses versos.

Versos que acalmam, versos que lavam a alma.

Em tempos de tristeza, lhe trago euforia.

Um suspiro de alegria,

uma brisa de esperança,

venha junto nesta dança!

Em tempos tristes,

lhe ofereço meu aperto, vindo dos meus braços,

lhe oferecendo um caloroso enlaço!

 

 

J.G.P.A – 09/10/2018 – Americana, SP – Brasil

 

Música de fundo: Adagio,  por Johann Sebastian Bach

A HIDRA

HYDRA
Imagem: Héracles mata a Hidra de Lerna
Por François-Joseph Bosio
Museu do Louvre

I

“Enfrentar um leão a cada dia, banal;
Encarar sua fúria e batalhar contra este animal, normal.
Batalhar todo dia contra a mesma criatura,
Aprendendo assim a derrotá-la é tão fácil, assim como a literatura.

Matar um leão por dia:
este é o fardo que vós deveis carregar!
Sem refletir duas ou mais vezes; e o animal está ali à vossa espera,
ele ataca; mas vós sabeis como agir para assim
derrotar essa fera que vos fere.

Espada em uma mão para atacar, escudo na outra para vos defender.
Alguns movimentos e golpes infligidos por esta espada,
duas ou três manobras de escudo:
vosso leão de cada dia que vos é dado, suspira a vossos pés,
seus olhos estão agora com pouca vida,
para o leão tudo se torna escuro. Um último golpe é dado por vós,
o sangue da fera escorre e vosso fardo se transforma agora em legado.

Ao regressar à vossa morada – os outros – com muito orgulho e admiração, anunciarão: “o herói chegou, vamos deliciar este banquete e festejar!” Todos estes seres que ali recebem o herói, o matador de leão, esquecem dos fatos – dominados pela ignorância – que são também heróis, assassinos de leões. Enfrentar um leão a cada dia não é privilégio, nem tampouco heroísmo; é simplesmente o que ousamos e chamamos de vida.

II

Quem sou eu para vos julgar,
para julgar vossa batalha de cada dia contra vosso leão?
Eu vos felicito por este covarde ato de bravura. Bravo! Bravíssimo!
Todo o dia que vós sereis ainda dotados de vida,
caído a vossos pés, sempre estará o leão.

Que inveja! Inveja profunda que me faz desejar derrotar um leão por dia,
mas minha fera é mais robusta, bruta.
Minha temida e pouco tímida criatura é esse dragão
que age sem misericórdia, conhecido pelo nome de Hidra.
A rainha de todas as criaturas, mistura de dragão com serpente,
destruidora de esperanças, corações e de mentes!

Envolvente e atraente, poderosa e impiedosa
que aparece na minha frente, provocadora provocante,
traidora traiçoeira. Nada tem de inofensivo nesta fera,
criada pela bela deusa Hera.
Que seja no verão ou na primavera,
no outono ou no inverno, na luz ou na escuridão:
estou fadado a lutar contra essa fera!

Criatura imortal, feita por Hera, tento combater essa angústia inimiga
na ausência de uma presença amiga,
que todos conhecem pelo nome de Hidra!
Eis o grande desafio, o fardo que não pode ser resolvido,
nem mesmo com a lâmina da espada mais afiada!
Mistério e poder, imortal criatura, inimiga até o fim dos meus dias.
Maldita Hidra!

III

Arrisco-me a enfrentá-la todos os dias,
não por coragem, mas por não ter a escolha de poder batalhar com o leão.
Desse dragão, inimigo para a toda eternidade,
serpente poderosa, da qual corto uma cabeça a cada oportunidade.
Esforço e perigo em vão mobilizo,
pois para cada cabeça de serpente caída no chão,
duas novas sempre surgirão.

Poderosa e invencível criatura, fonte do meu desespero,
razão da minha vida, não te esqueça,
sou eu quem alimenta tua força!
A cada tentativa de derrotá-la, magnifica criatura,
não faço nada mais que reforçar tua força,
me condenando à minha própria forca.
Eis o meu fardo eterno e infinito, o caro preço
da minha humilde imaginação, a tortura da minha indignação de cada dia.

Poeta e lutador, fadado a todo sempre a batalhar minha inimiga,
para que da minha vida surja sempre a criação.
O privilégio de ser um poeta me foi dado,
ora nada por mim foi demandado,
este acompanhado dessa maravilhosa e temerosa inimiga,
que não desejo mais derrotar. Hidra, criação de Hera, poderosa e destemida!
Essa inimiga-amiga que estará sempre ao meu lado,
perturbando-me e enlouquecendo-me,
e a cima de tudo, INSPIRANDO-ME!”

J.G.P. A – 21/ 06/2018 – Vercelli, Itália

DOIS MUNDOS

 

caronte
Crédito imagem: Caronte ilustrado por: Gustave Doré, para a Divina Comédia.

 

 

“Em tudo existe dois lados, duas faces;

o ouro em forma de moeda tem sua cara,

mas também sua coroa. Isso tudo está longe de ser à toa.

 

 

 Um rio tem duas margens e, uma pessoa duas personalidades, fachadas;

porém existe a impossibilidade,

de estar nos dois lados, ao mesmo tempo.

Do rio escolhemos uma das margens, e da pessoa uma personalidade.

 

 

Gostaria de saber o que jaz do outro lado do rio,

nessa margem desconhecida;

Infelizmente não me chamo Caronte!

Apenas a morte até lá me conduzirá.

Porém, preciso, por ora, me contentar

desta prisão que me entorna e me sufoca.

 

 

Ó Barqueiro! Que inveja sinto de você!

vagando entre dois mundos, vendo vivos e mortos.

Conhecendo as duas margens do rio!

E o melhor: para cada alma levada, duas peças de ouro são creditadas!”

 

J.G.P.A – Vercelli, Itália – 24/06/2018

ARBOR

ARBOR.jpeg
Crédito foto: João Guilherme Pozzi Arcaro

 

“Árvore de flor, árvore de fruto,

cheia de vida e repleta de amor.

Árvore de sombra, árvore de luz,

cheia de beleza e repleta de nobreza.

Árvore de beleza, como admiro sua grandeza!

 

                                                                              

 

Árvore verde, árvore de toda cor,

como admiro seu esplendor!

Árvore gigante, árvore pequena,

árvore de sabor, árvore de vida,

cheia de amor, vazia de ódio.

 

                                                                              

 

Bela árvore, árvore bela,

sem você nada seria, sem você nada existiria.

Beleza infinita que me protege e me guia,

beleza única que faz transbordar meu coração levando-me para outra dimensão.

 

                                                                              

 

Árvore de cor, árvore de fulgor,

que nada sabe sobre guardar rancor,

sem atalhos, sem retalhos,

árvore inteira, que transborda de ardor.

  Cheia de clareza, repleta de ardileza.

Árvore de flor, árvore de fruto,

cheia de vida, repleta de amor.

 

                                                                             

 

Árvore da natureza, árvore de delicadeza,

aqui declaro-lhe meu afeto, aqui demonstro-lhe meu carinho.

Agradeço-lhe pela proteção, peço-lhe inspiração;

de todo carinho e paixão não me esquecerei, quando de você cuidarei;

para melhor gozar de sua beleza, e por aí espalhar sua grandeza!”

 

 

J.G.P.A – Americana, SP – Brasil, 21/09/2018