NO PRETÉRITO, JAMAIS!

PALMAS

 

Os dias e as horas passam, o relógio nunca para, nunca descansa

Um pouco como minh’alma e meu coração – toda vez que vem tua recordação.

Como é bom viver de lembranças!

Como é bom fechar os olhos e apenas lembrar.

Lembrar de cada instante que passei junto a ti!

Encho-me de tristeza e alegria, numa certa mistura de euforia,

Mas há também muita harmonia, sem espaço para a agonia.

O cheiro da tua pele, o som da tua voz,

Misturados com o banquete feito por tuas mãos,

Mãos que não me abraçam mais, mãos que não mais me confortam.

Mas preciso confessar-te algo, minha querida e eterna avó,

Tu vives em mim e para sempre viverás, carrego em mim teu fruto,

Eu mesmo sou fruto de teu fruto, fruto de teu sorriso.

Fruto que carrega tua doçura incomparável.

Tu deves me desculpar, se por ventura

Em alguns momentos eu choro pela tua ausência

Se a saudade que bate é mais forte do que eu.

E delicadamente, lágrimas escorrem dos meus olhos,

Que já estão molhados, agora, neste instante, enquanto escrevo-te tal poema.

 

***

 

Tu vives em meu coração,

Afinal “LE VRAI TOMBEAU DES MORTS, C’EST LE COEUR DES VIVANTS.”

E aqui tu viveras para todo o sempre, e quando me perguntarem,

Porque acredite, irão me perguntar sobre tua presença,

Sobre nossos momentos, juntos;

Sobre teus feitos, sobre tua vida,

Serei breve e apenas direi que tu nunca partiste

Nem tampouco morreste,

Tu continuas aqui, ao meu lado,

Seja na manhã do inverno ou na noite de verão

Sempre sentirei tua presença, sempre ouvirei teus conselhos.

Tu és e sempre serás eterna, mulher, mãe, irmã, avó: amor!

 

 

Hoje trouxe tuas preferidas,

Palmas, palmas de Santa-Rita;

Da Espanha, passando por Leme e por Santa Rita,

Por São Paulo e por fim Americana,

Trago-te, hoje, tuas preferidas.

Brancas e recém colhidas do jardim,

Desse jardim que fiz somente para ti!

Assim, tu sempre estarás no presente e até no futuro,

Mas no pretérito, JAMAIS!

 

J.G.P.A – 05/12/2018 – Americana, SP – Brasil

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OLHOS MÍSTICOS

 

 

Ao cair da noite observo as estrelas;
maravilhas que cintilam e iluminam o céu.
E nesse instante – não posso me impedir –
nem sequer por um segundo de me lembrar,
de me recordar da magia de teu olhar! 

Contemplando as maravilhas da noite
lembro-me de teus olhos que brilham
mais que mil estrelas juntas.
Olhos misteriosos, quais segredos escondem de mim?
Olhos maravilhosos, quais feitiços estão por trás dessa beleza?

De repente, nem mesmo as estrelas são tão belas,
encho-me da vaga lembrança dos teus olhos;
Dominado – quase petrificado fico – pois aquele brilho…
Ah! Aquele brilho místico e sedutor,
dele não consigo esquecer-me e digo sem pudor:
“ Olhos! Olhos! Que belos olhos tu tens!”

Olhos que me calam, que me acalmam
olhos de deusa, sedutora e mágica!
Olhos de bondade, olhos de vontade!
Tenho em mim tanto desejo é muita vontade,
de ter o prazer de enfim poder nesses teus olhos, olhar…
Orar, contemplar e admirar essa beleza.

Olhos que tudo dizem e tudo escondem,
misteriosos e místicos, mais poderosos que os poderes dos deuses d’Olímpio!
Acalmo meu coração, e de repente, sonho.
Sonho de teus olhos que me olham, 
me devoram, sonho desse sonho do qual não quero acordar,
assim poderei por mais uma noite venerar,
esses teus belos olhos… místicos, singelos… demasiados de mistério!

olhos Kali

 

J.G.P.A – 20/11/2018 – Americana, SP – Brasil

PEDRA A PEDRA

 

 

 

 

SONETO III

“A cidade sentia falta do senhor

que pela jovem mulher perdera a vida.

Mas ninguém sentiu falta daquela insignificante

e outrora prostituta. Tinha Sumido.

A vida não dava oportunidades para ela

que tanto ansiava e buscava a mudança.

A facada contra o senhor a libertou.

Mas também a condenou para todo o sempre.

Capturada aos gritos da multidão:

“Prostituta, escória, assassina!

Queime a bruxa em praça pública!”

O prefeito e o clero ouviram as vozes da cidade

e assim decidiram obedecer.

No meio da praça…nua, humilhada, apedrejada, julgada… Ali sangrava pela última vez”

 

FIM.

 

J.G.P.A – 05/11/2018 – Americana, SP – Brasil

 

 

 

PAU A PAU

Música:  “Air” por  Johann Sebastian Bach

 

 

SONETO II

 

 

 

“Ainda coberta com o sangue do senhor,

andava sem rumo pelas ruas, perdida.

Foragida do seu destino, criminosa e assassina;

Era hora de recomeçar.

Numa casa de pão, achou uma boa alma

e lá encontrou seu ganha-pão.

Pegava a lenha, punha no forno,

mexia e remexia a farinha, fazendo tranças de amor.

Trabalho e suor, cansaço e medo,

uma nova vida para a antiga dama da noite.

Transpirar no forno era melhor, ah! era melhor do que na cama!

Liberada da servidão de servir com seu corpo,

agora os cabelos louros e suas mãos macias

serviam pão e comida; que utopia…de liberdade..?!”

 

 

J.G.P.A – 05/11/2018 – Americana, SP – Brasil

 

 

GOTA A GOTA

Música: Sarabande de Handel

Soneto I

“Lá fora caíam gotas de chuva

Lá dentro escorriam gotas de sangue.

Fora fazia frio e a névoa imperava,

Dentro estava abafado, quase insuportável.

Linda e jovem mulher, na cama deitada

De seus olhos escorriam lágrimas de tristeza.

O senhor que sobre ela se deliciava,

Ah! Dele escorriam gotas de suor e prazer!

Pele de seda, ingênua, e fadada a um destino

não de fada, mas de prostituta.

Sempre lá dentro, servindo o senhor; como a maioria d suas órfãs amigas.

Gotas de sangue vermelhas, logo se tornavam pretas

com uma só facada ela tirou a vida;

Daquele que dela abusava em troca de uma, ou três…moedas de prata.”

 

 

 

J.G.P.A – 05/11/2018 – Americana, SP – Brasil

(R) – (E)X(S)ISTIR

ARESIS
Artista desconhecido

 

Abaixes tua arma que está

na minha cabeça apontada.

Eu vim apenas conversar,

deixes de lado tua raiva.

Tuas ideias cruéis, espalhadas por coronéis,

não entram na minha ética e

ferem minha rima poética!

Tentes me derrubar, tentes me calar,

me levantarei e jamais me calarei.

Tua arma é de fogo, a minha:

de papel e tinta!

Tua luta é xingar, humilhar, matar e exterminar!

A minha é escrever e iluminar.

 –

Teu capitão é covarde,

cria alarde, protegido por tropas; já eu

sou protegido pelas estrofes.

Tua arte é a guerra, a minha é a PAZ!

Teu voto de desespero, hoje está perdoado,

pois eu e aqueles que estão ao meu lado

lutaremos também por tu! Por isso, não te sintas culpado.

Nosso movimento é grande,

nossa resistência é para a existência;

não a minha, não a tua, não a dela, não a dele,

mas a de TODAS e TODOS!

Resisto, respiro, assim posso continuar a existir,

jamais desistir!

Tu tens ódio onde eu tenho amor.

Tu tens medo onde tenho coragem.

Não preciso de capitão covarde,

sem alardes, apenas escrevo e faço minha arte.

Minha arte é minha resistência:

A ESSÊNCIA DA MINHA EXISTÊNCIA!

 

J.G.P.A – Americana, SP- Brasil – 31/10/2018

 

“AUGUSTO”

Augusto COMTE
Auguste COMTE – Crédito imagem: Hulton Archive/Getty Images

 

“Comte-me” como resistir

“Comte-me” como existir

“Comte-me” como viver

“Comte-me” tudo que preciso saber.

“Comte-me” sobre o Amor

“Comte-me” sobre a Ordem

E ensine-me sobre o Progresso.

“Comte-me” tudo que preciso saber,

para que nesses tempos sombrios

eu possa continuar a existir,

para que nesse futuro nebuloso que jaz à minha frente.

Que eu possa ter o Amor por princípio.

que eu possa ter a Ordem por base;

que eu possa ter o Progresso por fim.

Augusto, “Comte-me”, ajude-me, guie-me,

“Comte-me” sobre o Progresso e como alcançá-lo,

Comte-me” sobre a Filosofia,

“Comte-me” sobre o Positivismo,

“Comte-me” onde eu posso granjear forças para lutar e resistir.

Apenas, “Comte-me” tudo que preciso saber,

“Comte-me” sobre seus ensinamentos, Augusto.

“Comte-me” como permanecer vivo,

“Comte-me” como progredir,

“Comte-me” como eu possa me tornar um Positivista,

um ativista e um Progressista.

“Comte-me” tudo, e em retorno lhe prometo

que eu mesmo “Comtarei” aos outros o que com você aprendi!

“Comte-me” como resistir

“Comte-me” como existir

“Comte-me” como viver

“Comte-me” tudo que preciso saber•

 

J.G.P.A – Americana, SP – Brasil – 29/10/2018