Soneto I: ” Gota a gota”

Música: Sarabande de Handel

 

“Lá fora caíam gotas de chuva

Lá dentro escorriam gotas de sangue.

Fora fazia frio e a névoa imperava,

Dentro estava abafado, quase insuportável.

Linda e jovem mulher, na cama deitada

De seus olhos escorriam lágrimas de tristeza.

O senhor que sobre ela se deliciava,

Ah! Dele escorriam gotas de suor e prazer!

Pele de seda, ingênua, e fadada a um destino

não de fada, mas de prostituta.

Sempre lá dentro, servindo o senhor; como a maioria d suas órfãs amigas.

Gotas de sangue vermelhas, logo se tornavam pretas

com uma só facada ela tirou a vida;

Daquele que dela abusava em troca de uma, ou três…moedas de prata.”

 

 

 

J.G.P.A – 05/11/2018 – Americana, SP – Brasil

Anúncios

(R) – (E)X(S)ISTIR

ARESIS
Artista desconhecido

 

Abaixes tua arma que está

na minha cabeça apontada.

Eu vim apenas conversar,

deixes de lado tua raiva.

Tuas ideias cruéis, espalhadas por coronéis,

não entram na minha ética e

ferem minha rima poética!

Tentes me derrubar, tentes me calar,

me levantarei e jamais me calarei.

Tua arma é de fogo, a minha:

de papel e tinta!

Tua luta é xingar, humilhar, matar e exterminar!

A minha é escrever e iluminar.

 –

Teu capitão é covarde,

cria alarde, protegido por tropas; já eu

sou protegido pelas estrofes.

Tua arte é a guerra, a minha é a PAZ!

Teu voto de desespero, hoje está perdoado,

pois eu e aqueles que estão ao meu lado

lutaremos também por tu! Por isso, não te sintas culpado.

Nosso movimento é grande,

nossa resistência é para a existência;

não a minha, não a tua, não a dela, não a dele,

mas a de TODAS e TODOS!

Resisto, respiro, assim posso continuar a existir,

jamais desistir!

Tu tens ódio onde eu tenho amor.

Tu tens medo onde tenho coragem.

Não preciso de capitão covarde,

sem alardes, apenas escrevo e faço minha arte.

Minha arte é minha resistência:

A ESSÊNCIA DA MINHA EXISTÊNCIA!

 

J.G.P.A – Americana, SP- Brasil – 31/10/2018

 

“AUGUSTO”

Augusto COMTE
Auguste COMTE – Crédito imagem: Hulton Archive/Getty Images

 

“Comte-me” como resistir

“Comte-me” como existir

“Comte-me” como viver

“Comte-me” tudo que preciso saber.

“Comte-me” sobre o Amor

“Comte-me” sobre a Ordem

E ensine-me sobre o Progresso.

“Comte-me” tudo que preciso saber,

para que nesses tempos sombrios

eu possa continuar a existir,

para que nesse futuro nebuloso que jaz à minha frente.

Que eu possa ter o Amor por princípio.

que eu possa ter a Ordem por base;

que eu possa ter o Progresso por fim.

Augusto, “Comte-me”, ajude-me, guie-me,

“Comte-me” sobre o Progresso e como alcançá-lo,

Comte-me” sobre a Filosofia,

“Comte-me” sobre o Positivismo,

“Comte-me” onde eu posso granjear forças para lutar e resistir.

Apenas, “Comte-me” tudo que preciso saber,

“Comte-me” sobre seus ensinamentos, Augusto.

“Comte-me” como permanecer vivo,

“Comte-me” como progredir,

“Comte-me” como eu possa me tornar um Positivista,

um ativista e um Progressista.

“Comte-me” tudo, e em retorno lhe prometo

que eu mesmo “Comtarei” aos outros o que com você aprendi!

“Comte-me” como resistir

“Comte-me” como existir

“Comte-me” como viver

“Comte-me” tudo que preciso saber•

 

J.G.P.A – Americana, SP – Brasil – 29/10/2018

 

SORRISO DOS SONHOS

TWO LOVERS AND A CAT
                          Crédito foto: João Guilherme Pozzi Arcaro –  Pádua, Itália – 18/08/2018                               Título: ” Two lovers & a cat & a bird & a hat”

 

 

“Quando meu olhar em você se repousou

pela primeira vez, não muito notei,

apenas observei.

Vi beleza, vi grandeza, vi o que era visível

aos meus olhos, superficialmente.

Lembro-me desse primeiro olhar,

mal sabia eu que, lhe olhar aquele dia,

mudaria para sempre o sentido da minha visão.

 

 

Quando meu olhar em você se repousou

pela segunda vez, muito notei, muito observei.

Dominado pela dúvida, desarmado e ajoelhado,

quase curvado fiquei.

Muito imaginei, mas também me perguntei:

“que chance teria eu  com alguém igual a você?”

Terna e bela, abastada de tanta sapiência e decência;

joia rara do mar Egeu, apenas um deus poderia ter o direito

de desfrutar de tanta perfeição e paixão!

 

 

Quando meu olhar em você se repousou

pela terceira vez, confesso que me apaixonei.

Seu sorriso me laçou, de longe senti seus braços

que me abraçavam e confortavam.

Não tinha vocabulário para prosear com você,

então mudo fiquei. Apenas respondi ao  seu sorriso,

sorrindo.

 

 

E assim percebi que tudo era um sonho,

uma utopia platônica, uma paixão impossível, irrealista.

Mas eu sabia também que, para desfrutar de tal sentimento,

bastaria que eu fechasse meus olhos e imaginasse.

Nessa imaginação, um mundo criei para você, 

um mundo que você dividia comigo, sorrindo.

 

 

Sorrisos e alegrias, à beira do mar,

no alto da montanha, não importava o lugar,

pois lá você estava, comigo.

Tudo era mágico, belo e verdadeiro.

Daquele sonho eu não queria sair,

não queria acordar e voltar para essa realidade.

Hoje, meu olhar em você se repousa, não pela quarta,

nem quinta ou sexta vez, mas infinitamente nos meus sonhos.

Porém, fora do mundo dos sonhos, de volta à realidade

eu sei: que nosso amor nunca poderá acontecer…

 

J.G.P.A –  19/10/2018 – Americana, SP – Brasil

MULTIDÃO

nascimento-de-venus
O Nascimento de Vênus (1484 e 1486) de Sandro Botticelli

 

“No meio de tantas faces e formas,

entre todas as sombras e imagens,

dentro da multidão, um brilho na escuridão.

Essa luz que brilhava e atraía minha atenção,

esse brilho robusto e formoso, belo e inquieto.

No meio de tantas pessoas e seres,

dentre todas as ilusões e mentes,

dentro da multidão, um brilho na escuridão.

Luz divina, luz de beleza

Ó céus, quanta grandeza!

Causadora de invejas e desejos

entre todos os guerreiros, de Tróia à Esparta;

Muitos levantariam suas espadas,

para desfrutar de tamanha presença.

No meio de todos e todas,

entre princesas e rainhas, príncipes e reis,

você cintilava, iluminava toda aquela multidão.

Luz infinita, chama eterna,

você era terna e bela.

No meio da multidão,

clarão, trovão e confusão; quebrando a escuridão,

silenciando o silêncio.

Deusa grega, deusa romana,

deusa de todas as crenças e religiões;

E eu? Pois bem, de longe lhe observava,

sendo aquilo que sou e sempre fui,

um mero mortal face à sua beleza imortal.”

 

 

 

J.G.P.A – Americana, SP – Brasil – 04/09/2018

RECEITA SIMPLES

 

Amar sem medo, viver sem receio.

Apaixonar-se sem limites, viver o instante,

deixando de lado tudo aquilo

que torna o amor impossível.

Viver sem amar, não é viver,

é apenas existir, como uma pedra,

no topo daquela montanha fria e distante.

Apaixonar-se sem temer, sem sofrer.

Viver de amor, alimentar o coração

do mais puro sentimento, sem impor condição!

Amar é possível, amar é necessário; é um imperativo.

Amar, dançar, cantar, sorrir,

transbordar de alegria, encher-se de poesia.

Amar: o segredo para ver o sol RAIAR!

 

J.G.P.A – 09/10/2018 – Americana, SP – Brasil

 

 

O TEMPO DA DANÇA

 

 

Em tempos de ódio,

lhe trago amor.

Em tempos de desespero,

lhe ofereço um berço.

Pode ser pouco, pode não ser suficiente,

mas lhe trago esses versos.

Versos que acalmam, versos que lavam a alma.

Em tempos de tristeza, lhe trago euforia.

Um suspiro de alegria,

uma brisa de esperança,

venha junto nesta dança!

Em tempos tristes,

lhe ofereço meu aperto, vindo dos meus braços,

lhe oferecendo um caloroso enlaço!

 

 

J.G.P.A – 09/10/2018 – Americana, SP – Brasil

 

Música de fundo: Adagio,  por Johann Sebastian Bach