Φωτιά (Fotiá)

 

 

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Prometeu rouba o Fogo para a Humanidade, por Heinrich Friedrich Füger, 1817

I

Imaginar quanto tu sofres

não consigo, não posso.

Grandioso e belo, amante de nós mortais;

roubastes um dos mais valiosos poderes

dos deuses, traístes o sagrado.

Lá do alto d’Olímpio, pegastes o fogo

e entregastes a nós, pobres e meros mortais.

Poder dos deuses, grande titã tu és e sempre serás,

libertastes a Humanidade de suas limitadas capacidades.

Graças a ti, deus benevolente que roubastes a chama sagrada,

Que afrontastes a fúria e a condenação

dos deuses e titãs mais poderosos que ti:

Temos o fogo! Fogo que tudo queima,

fogo que nos esquenta e alimenta,

que nos faz ganhar guerras e destruir Impérios!

Fogo que nos fortalece, aquece,

Esquece.

Fogo que quando passa

não tem clemência nem benevolência

para com nossos inimigos e pesadelos.

Fogo que arde e fortalece,

esquenta a forja, cria a espada,

funde a lança, queima vivos,

queima mortos.

Fogo, presente e dádiva de ti, Prometeu!

Nos destes esse maravilhoso e vermelho poder

assim, não precisamos mais nos ater aos erros do passado.

O fogo tudo varre, tudo queima, tudo destrói,

Esquece.

 

II

 

Sofres a cada dia um mal pior que a própria Morte

condenado fostes a sofrer por toda a Eternidade!

Águia que de teu fígado se delicia,

Lágrima que de teu olho: escorre.

Pagas o preço do Amor, por nós, mortais,

não em ouro nem prata,

só dor e sofrimento, lento, eterno.

Se não fosse pelo teu sofrimento

pela tua bravura, pela sua Existência,

como nós mortais faríamos

para apagar, queimar, esquecer

os erros do Passado?

Sem o fogo seríamos condenados a viver

Não eternamente como ti,

mas igualmente na dor, na tortura, no erro.

Sem o fogo, angústia!

Sem o fogo, lembrança!

Sem o fogo, dor!

Sem o fogo, pesadelos!

Sem o fogo, inimigos!

Sem o fogo, nada!

Nada seríamos; obrigado grande titã

Obrigado por roubar o fogo dos deuses

e o entregar à Humanidade,

Fogo de Héstia, divindade d’Olímpio!

Justo dela, da poderosa e impiedosa, filha de Cronos!

Que coragem, Prometeu!

Amor por nós mortais e bravura,

nos destes o fogo da ternura,

da salvação e liberação!

E por ti, Prometeu,

eternas serão:

Gratidão e Devoção.

 

III

 

Teu sofrimento e tua condenação, ambos

que sofres agora, neste momento

não terão sido em vão!

Uso esse fogo, sem abuso,

com escrúpulo e consciência

pois sei que cada vez que  ateio uma chama

A Águia está devorando-te!

Uso o fogo com sabedoria

para me livrar dos males do Passado,

para apagar erros cometidos.

E só assim, graças a teu sofrimento e traição,

Esqueço.

Avanço.

Descanso.

 

IV

 

Não há nada de tão belo, forte,

intenso e poderoso como o fogo.

Fogo! Fogo! Fogo!

Queime os erros do meu Passado,

leve em tuas chamas minhas dores e meus pavores,

transforme em cinzas aquilo que já foi vida,

que teu vermelho alaranjado, leves, queimes,

destruas.

Que a fumaça suma, desapareça!

Carregada de sofrimento e tormento,

em direção aos céus, longe de minha morada,

longe de meu sofrido coração,

longe desse sofredor!

Queimes tudo, leves tudo,

Por gentileza, não deixes rastros,

nem mesmo para os ratos!

Apenas carregues em tuas chamas vívidas e vividas,

coloridas e poderosas, intensas,

tudo aquilo que me aflige!

Sem piedade, sem clemência, fogo,

não mostres tua benevolência!

Queimes tudo! Destruas tudo!

E se possível, não me abandones nunca,

como muitas já fizeram após me prometer

Amor Eterno.

Fogo, sejas para minha mera e curta Existência;

Companhia, amigo, inspiração.

Fogo, não me deixes jamais!

 

V

 

Na Escuridão, sejas luz,

no frio, sejas calor,

no calor, sejas bondoso.

Na Noite, sejas guia

no dia, sejas furioso.

Pacto, trato, compromisso,

chames de como quiseres,

mas firmes um comigo.

E como sou de Prometeu,

devoto e grato, hei de ser de ti,

hei de te provar minhas Eternas:

Gratidão e Devoção!

Farei de ti, meu único deus,

deus das chamas, o mais poderoso!

Prometes-me ficar?

Sem nunca me deixar,

sem nunca me abandonar.

E assim serei teu servo mais fiel,

teu devoto mais penitente,

teu guardião e protetor.

Se quiseres comigo este pacto firmar,

Queimes, mostres tuas chamas e teus poderes,

e carregues este e todos os meus erros do Passado!

Leves, em tuas chamas leves,

para bem longe de mim,

antigos amores d’outrora

que hoje se transformaram em dores.

Incendeies!

Libertes-me!

Faças-me esquecer!

Queimes tudo, protejas-me!

Só dessa maneira, só desse jeito

poderei viver.

Continuar.

Me libertar!

 

J.G.P.A – 10/01/2019 – Americana, SP – Brasil “O Poeta”

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POESIA EM PROSA

ser e tempo editar
Capa do livro ” Sein und Zeit” ( Ser e Tempo), de Martin Heidegger; filósofo alemão.

 

Se você se vê em tudo, significa que você sabe quem você é?

Ou só mostra o quão desesperado pela auto identificação você está?

Me vejo na criança de cabelos louros cacheados, em um velho solitário,

em um casal apaixonado, perdido na alma de um desalmado;

me vejo em todo lugar e em lugar nenhum,

vejo quem eu queria ser,

quem eu sou e quem eu era, até consigo ver minha sombra.

Mas ainda não sei quem sou eu.

Essa construção diária está me matando…

me sinto no começo de um livro de investigação,

tentada a ler a última página que soluciona o crime de vez;

não consigo mais esperar para saber quem eu vou ser no final disto tudo. 

Será que vou me orgulhar da mesma forma que me orgulho dos amores que carrego no peito?

Não saber é pior que saber, mas de qualquer forma eu tenho que ver as coisas com mais esperança,

vendo assim dizem que fica mais fácil encarar o medo.

Eu tenho esperança de que o que estou construindo hoje seja bom no futuro ou pelo menos sirva de lição,

que seja o empurrão que eu precisava.

Só não seja, por favor, uma perda de tempo, pois não posso viver sabendo que não estou

em constante transformação…

 

Stefanni Lira – 28/12/2018 – Campinas, SP – Brasil  “ A Poeta”

 

NO PRETÉRITO, JAMAIS!

PALMAS

 

Os dias e as horas passam, o relógio nunca para, nunca descansa

Um pouco como minh’alma e meu coração – toda vez que vem tua recordação.

Como é bom viver de lembranças!

Como é bom fechar os olhos e apenas lembrar.

Lembrar de cada instante que passei junto a ti!

Encho-me de tristeza e alegria, numa certa mistura de euforia,

Mas há também muita harmonia, sem espaço para a agonia.

O cheiro da tua pele, o som da tua voz,

Misturados com o banquete feito por tuas mãos,

Mãos que não me abraçam mais, mãos que não mais me confortam.

Mas preciso confessar-te algo, minha querida e eterna avó,

Tu vives em mim e para sempre viverás, carrego em mim teu fruto,

Eu mesmo sou fruto de teu fruto, fruto de teu sorriso.

Fruto que carrega tua doçura incomparável.

Tu deves me desculpar, se por ventura

Em alguns momentos eu choro pela tua ausência

Se a saudade que bate é mais forte do que eu.

E delicadamente, lágrimas escorrem dos meus olhos,

Que já estão molhados, agora, neste instante, enquanto escrevo-te tal poema.

 

***

 

Tu vives em meu coração,

Afinal “LE VRAI TOMBEAU DES MORTS, C’EST LE COEUR DES VIVANTS.”

E aqui tu viveras para todo o sempre, e quando me perguntarem,

Porque acredite, irão me perguntar sobre tua presença,

Sobre nossos momentos, juntos;

Sobre teus feitos, sobre tua vida,

Serei breve e apenas direi que tu nunca partiste

Nem tampouco morreste,

Tu continuas aqui, ao meu lado,

Seja na manhã do inverno ou na noite de verão

Sempre sentirei tua presença, sempre ouvirei teus conselhos.

Tu és e sempre serás eterna, mulher, mãe, irmã, avó: amor!

 

 

Hoje trouxe tuas preferidas,

Palmas, palmas de Santa-Rita;

Da Espanha, passando por Leme e por Santa Rita,

Por São Paulo e por fim Americana,

Trago-te, hoje, tuas preferidas.

Brancas e recém colhidas do jardim,

Desse jardim que fiz somente para ti!

Assim, tu sempre estarás no presente e até no futuro,

Mas no pretérito, JAMAIS!

 

J.G.P.A – 05/12/2018 – Americana, SP – Brasil

OLHOS MÍSTICOS

 

 

Ao cair da noite observo as estrelas;
maravilhas que cintilam e iluminam o céu.
E nesse instante – não posso me impedir –
nem sequer por um segundo de me lembrar,
de me recordar da magia de teu olhar! 

Contemplando as maravilhas da noite
lembro-me de teus olhos que brilham
mais que mil estrelas juntas.
Olhos misteriosos, quais segredos escondem de mim?
Olhos maravilhosos, quais feitiços estão por trás dessa beleza?

De repente, nem mesmo as estrelas são tão belas,
encho-me da vaga lembrança dos teus olhos;
Dominado – quase petrificado fico – pois aquele brilho…
Ah! Aquele brilho místico e sedutor,
dele não consigo esquecer-me e digo sem pudor:
“ Olhos! Olhos! Que belos olhos tu tens!”

Olhos que me calam, que me acalmam
olhos de deusa, sedutora e mágica!
Olhos de bondade, olhos de vontade!
Tenho em mim tanto desejo é muita vontade,
de ter o prazer de enfim poder nesses teus olhos, olhar…
Orar, contemplar e admirar essa beleza.

Olhos que tudo dizem e tudo escondem,
misteriosos e místicos, mais poderosos que os poderes dos deuses d’Olímpio!
Acalmo meu coração, e de repente, sonho.
Sonho de teus olhos que me olham, 
me devoram, sonho desse sonho do qual não quero acordar,
assim poderei por mais uma noite venerar,
esses teus belos olhos… místicos, singelos… demasiados de mistério!

olhos Kali

 

J.G.P.A – 20/11/2018 – Americana, SP – Brasil

PEDRA A PEDRA

 

 

 

 

SONETO III

“A cidade sentia falta do senhor

que pela jovem mulher perdera a vida.

Mas ninguém sentiu falta daquela insignificante

e outrora prostituta. Tinha Sumido.

A vida não dava oportunidades para ela

que tanto ansiava e buscava a mudança.

A facada contra o senhor a libertou.

Mas também a condenou para todo o sempre.

Capturada aos gritos da multidão:

“Prostituta, escória, assassina!

Queime a bruxa em praça pública!”

O prefeito e o clero ouviram as vozes da cidade

e assim decidiram obedecer.

No meio da praça…nua, humilhada, apedrejada, julgada… Ali sangrava pela última vez”

 

FIM.

 

J.G.P.A – 05/11/2018 – Americana, SP – Brasil

 

 

 

PAU A PAU

Música:  “Air” por  Johann Sebastian Bach

 

 

SONETO II

 

 

 

“Ainda coberta com o sangue do senhor,

andava sem rumo pelas ruas, perdida.

Foragida do seu destino, criminosa e assassina;

Era hora de recomeçar.

Numa casa de pão, achou uma boa alma

e lá encontrou seu ganha-pão.

Pegava a lenha, punha no forno,

mexia e remexia a farinha, fazendo tranças de amor.

Trabalho e suor, cansaço e medo,

uma nova vida para a antiga dama da noite.

Transpirar no forno era melhor, ah! era melhor do que na cama!

Liberada da servidão de servir com seu corpo,

agora os cabelos louros e suas mãos macias

serviam pão e comida; que utopia…de liberdade..?!”

 

 

J.G.P.A – 05/11/2018 – Americana, SP – Brasil

 

 

GOTA A GOTA

Música: Sarabande de Handel

Soneto I

“Lá fora caíam gotas de chuva

Lá dentro escorriam gotas de sangue.

Fora fazia frio e a névoa imperava,

Dentro estava abafado, quase insuportável.

Linda e jovem mulher, na cama deitada

De seus olhos escorriam lágrimas de tristeza.

O senhor que sobre ela se deliciava,

Ah! Dele escorriam gotas de suor e prazer!

Pele de seda, ingênua, e fadada a um destino

não de fada, mas de prostituta.

Sempre lá dentro, servindo o senhor; como a maioria d suas órfãs amigas.

Gotas de sangue vermelhas, logo se tornavam pretas

com uma só facada ela tirou a vida;

Daquele que dela abusava em troca de uma, ou três…moedas de prata.”

 

 

 

J.G.P.A – 05/11/2018 – Americana, SP – Brasil

(R) – (E)X(S)ISTIR

ARESIS
Artista desconhecido

 

Abaixes tua arma que está

na minha cabeça apontada.

Eu vim apenas conversar,

deixes de lado tua raiva.

Tuas ideias cruéis, espalhadas por coronéis,

não entram na minha ética e

ferem minha rima poética!

Tentes me derrubar, tentes me calar,

me levantarei e jamais me calarei.

Tua arma é de fogo, a minha:

de papel e tinta!

Tua luta é xingar, humilhar, matar e exterminar!

A minha é escrever e iluminar.

 –

Teu capitão é covarde,

cria alarde, protegido por tropas; já eu

sou protegido pelas estrofes.

Tua arte é a guerra, a minha é a PAZ!

Teu voto de desespero, hoje está perdoado,

pois eu e aqueles que estão ao meu lado

lutaremos também por tu! Por isso, não te sintas culpado.

Nosso movimento é grande,

nossa resistência é para a existência;

não a minha, não a tua, não a dela, não a dele,

mas a de TODAS e TODOS!

Resisto, respiro, assim posso continuar a existir,

jamais desistir!

Tu tens ódio onde eu tenho amor.

Tu tens medo onde tenho coragem.

Não preciso de capitão covarde,

sem alardes, apenas escrevo e faço minha arte.

Minha arte é minha resistência:

A ESSÊNCIA DA MINHA EXISTÊNCIA!

 

J.G.P.A – Americana, SP- Brasil – 31/10/2018

 

“AUGUSTO”

Augusto COMTE
Auguste COMTE – Crédito imagem: Hulton Archive/Getty Images

 

“Comte-me” como resistir

“Comte-me” como existir

“Comte-me” como viver

“Comte-me” tudo que preciso saber.

“Comte-me” sobre o Amor

“Comte-me” sobre a Ordem

E ensine-me sobre o Progresso.

“Comte-me” tudo que preciso saber,

para que nesses tempos sombrios

eu possa continuar a existir,

para que nesse futuro nebuloso que jaz à minha frente.

Que eu possa ter o Amor por princípio.

que eu possa ter a Ordem por base;

que eu possa ter o Progresso por fim.

Augusto, “Comte-me”, ajude-me, guie-me,

“Comte-me” sobre o Progresso e como alcançá-lo,

Comte-me” sobre a Filosofia,

“Comte-me” sobre o Positivismo,

“Comte-me” onde eu posso granjear forças para lutar e resistir.

Apenas, “Comte-me” tudo que preciso saber,

“Comte-me” sobre seus ensinamentos, Augusto.

“Comte-me” como permanecer vivo,

“Comte-me” como progredir,

“Comte-me” como eu possa me tornar um Positivista,

um ativista e um Progressista.

“Comte-me” tudo, e em retorno lhe prometo

que eu mesmo “Comtarei” aos outros o que com você aprendi!

“Comte-me” como resistir

“Comte-me” como existir

“Comte-me” como viver

“Comte-me” tudo que preciso saber•

 

J.G.P.A – Americana, SP – Brasil – 29/10/2018

 

SORRISO DOS SONHOS

TWO LOVERS AND A CAT
                          Crédito foto: João Guilherme Pozzi Arcaro –  Pádua, Itália – 18/08/2018                               Título: ” Two lovers & a cat & a bird & a hat”

 

 

“Quando meu olhar em você se repousou

pela primeira vez, não muito notei,

apenas observei.

Vi beleza, vi grandeza, vi o que era visível

aos meus olhos, superficialmente.

Lembro-me desse primeiro olhar,

mal sabia eu que, lhe olhar aquele dia,

mudaria para sempre o sentido da minha visão.

 

 

Quando meu olhar em você se repousou

pela segunda vez, muito notei, muito observei.

Dominado pela dúvida, desarmado e ajoelhado,

quase curvado fiquei.

Muito imaginei, mas também me perguntei:

“que chance teria eu  com alguém igual a você?”

Terna e bela, abastada de tanta sapiência e decência;

joia rara do mar Egeu, apenas um deus poderia ter o direito

de desfrutar de tanta perfeição e paixão!

 

 

Quando meu olhar em você se repousou

pela terceira vez, confesso que me apaixonei.

Seu sorriso me laçou, de longe senti seus braços

que me abraçavam e confortavam.

Não tinha vocabulário para prosear com você,

então mudo fiquei. Apenas respondi ao  seu sorriso,

sorrindo.

 

 

E assim percebi que tudo era um sonho,

uma utopia platônica, uma paixão impossível, irrealista.

Mas eu sabia também que, para desfrutar de tal sentimento,

bastaria que eu fechasse meus olhos e imaginasse.

Nessa imaginação, um mundo criei para você, 

um mundo que você dividia comigo, sorrindo.

 

 

Sorrisos e alegrias, à beira do mar,

no alto da montanha, não importava o lugar,

pois lá você estava, comigo.

Tudo era mágico, belo e verdadeiro.

Daquele sonho eu não queria sair,

não queria acordar e voltar para essa realidade.

Hoje, meu olhar em você se repousa, não pela quarta,

nem quinta ou sexta vez, mas infinitamente nos meus sonhos.

Porém, fora do mundo dos sonhos, de volta à realidade

eu sei: que nosso amor nunca poderá acontecer…

 

J.G.P.A –  19/10/2018 – Americana, SP – Brasil