(R) – (E)X(S)ISTIR

ARESIS
Artista desconhecido

 

Abaixes tua arma que está

na minha cabeça apontada.

Eu vim apenas conversar,

deixes de lado tua raiva.

Tuas ideias cruéis, espalhadas por coronéis,

não entram na minha ética e

ferem minha rima poética!

Tentes me derrubar, tentes me calar,

me levantarei e jamais me calarei.

Tua arma é de fogo, a minha:

de papel e tinta!

Tua luta é xingar, humilhar, matar e exterminar!

A minha é escrever e iluminar.

 –

Teu capitão é covarde,

cria alarde, protegido por tropas; já eu

sou protegido pelas estrofes.

Tua arte é a guerra, a minha é a PAZ!

Teu voto de desespero, hoje está perdoado,

pois eu e aqueles que estão ao meu lado

lutaremos também por tu! Por isso, não te sintas culpado.

Nosso movimento é grande,

nossa resistência é para a existência;

não a minha, não a tua, não a dela, não a dele,

mas a de TODAS e TODOS!

Resisto, respiro, assim posso continuar a existir,

jamais desistir!

Tu tens ódio onde eu tenho amor.

Tu tens medo onde tenho coragem.

Não preciso de capitão covarde,

sem alardes, apenas escrevo e faço minha arte.

Minha arte é minha resistência:

A ESSÊNCIA DA MINHA EXISTÊNCIA!

 

J.G.P.A – Americana, SP- Brasil – 31/10/2018

 

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PAVÃO OU PLÁSTICO?

Pavão ou plástic
“Pavão ou plástico?” – Foto por: João Guilherme Pozzi Arcaro

 

ara leitora, caro leitor, peço de antemão desculpas pela crônica desta semana pelos dois seguintes motivos:  por razão das eleições presidenciais que ocorrerão amanhã, dia 07 de outubro de 2018, o Litteramundis traz sua crônica neste sábado dia 06, excepcionalmente e, também, porque esta crônica não abordará o assunto de tal evento, não porque não considero que não seja importante abordar as eleições deste ano nesse espaço, mas ainda é cedo para trazer qualquer escrito sobre tal evento.

De fato, vemos um Brasil – que não está dividido e polarizado como os grandes canais de comunicação nos querem fazer acreditar – a divisão está sim presente, porém ela não se faz em apenas dois polos distintos. Não vivemos um cenário de bipolarização da política, onde existe apenas duas possibilidades, dois candidatos, vivemos uma divisão de ideias que divergem em pontos cruciais para que tenhamos a esperança de, por exemplo, tentar explicar porque um determinado candidato não merece seu voto e o outro sim, afinal este não é o propósito deste espaço. Existe uma divisão muito mais profunda que a política que considero de extrema importância, a divisão de valores éticos e morais que levam alguns a votar para um candidato X ou Y. Quando me deparo com convicções – e às vezes  um fanatismo de grupos defendendo arduamente os presidenciáveis – fico um tanto assustado, mas ao mesmo tempo vejo na brasileira e no brasileiro um interesse crescente sobre o campo da política e que os indivíduos desta grandiosa nação possuem uma fonte inesgotável de energia para batalhar, trabalhar, lutar e não apenas em época de eleição, mas sim todos os dias.

Se posso tirar – com minhas convicções mais otimistas possíveis – um aprendizado do que venho observando durante esta corrida presidencial é a força do povo brasileiro, um povo que sofre e trabalha, e ainda assim tem tempo para ir às ruas, manifestar-se, defender suas ideias e seus ideais com fervor, com garra e muita determinação. Em contraponto, fico desolado quando observo o ódio sendo dissimulado e espalhado por certos campos da política, mas também vejo o amor do outro lado. E se você, eu, todos nós, brasileiras e brasileiros deixássemos de lado nossas diferenças em diferentes esferas, que por uma vez apenas não dividíssemos o Nordeste do Sudeste, o Norte do Sul e nos uníssemos de fato com uma nação? Que deixássemos de lado nossas divergências, que Paulistas e Cariocas se reunissem e parassem de competir para saber qual das cidades é a mais bonita?

 

E se todas e todos nós uníssemos nossas forças, nossas convicções, ódios, amores, medos, apreensões e transformássemos tudo isso em: INDIGNAÇÃO? Sendo sincero com cada uma e cada um de vocês, se nós não deixarmos de lado nossas diferenças partidárias, políticas, sociais, culturais entre outras diferenças que constituem a riqueza de nossa nação, iremos todos caminhar em direção ao abismo, e acreditem a queda será brusca, brutal e todas e todos irão sucumbir a um mal maior. Não importa quem será a nossa ou nosso representante que irá assumir o Planalto no dia 1º de janeiro de 2019, se nós não nos unirmos para a seguinte causa, nenhuma outra luta terá valido a pena de ter sido lutado, nenhuma só gota de suor terá valido o esforço para ir ao trabalho todos os dias, nada mais importará.

Então, você que vota no PT, no PSOL, no PSDB, no PSL, na REDE, no NOVO, no PODEMOS, no PCdoB, no PDT ou nos outros 26 partidos políticos que compõe nossa classe política com o contingente de 35 partidos. Venho até você, por meio deste texto, para lhe pedir uma única coisa: união. Neste momento, tenho a plena convicção de que não será aquela ou aquele que sentará na cadeira do Planalto que poderá nos salvar do nosso destino iminente e assombrosamente destruidor. Apenas a união das nossas diferenças poderá de fato alterar o curso da destruição da nossa civilização, do nosso planeta e da nossa espécie. Os fatos científicos estão presentes em todo lugar, pesquisas são realizadas por universidades de renome, cientistas premiados, as evidências estão por todos os lugares, basta abrirmos os olhos. Não é por acaso que esta crônica se denomina “Pavão ou plástico?”, não é uma mera coincidência e sim totalmente proposital e voluntária para que se faça alusão à matéria publicada pelo periódico “National Geographic” intitulada “Planet or plastic?” – (Planeta ou plástico?), em junho 2018.

 

NAT GEO
Capa do periódico National Geographic – “Planet or plastic?”

 

Esta crônica é na verdade um grande apelo pela união e pela conscientização de cada indivíduo que vive em solo brasileiro: uni-vos! Ricos, pobres, cristãos, evangélicos, muçulmanos, judeus, hindus, candomblés, protestantes, brancos, negros, pardos, morenos, loiros, altos, baixos, magros, gordos, homens, mulheres, crianças, idosos…. Esta luta é uma luta de todas e todos e só podemos vencê-la com as mãos dadas, lutando como espécie por nossa sobrevivência.

 

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DIA DOS (DE TODOS OS) ANIMAIS

St Fr
Crédito imagem: Instituto Dom Barreto

 

 

Ontem, dia 4 de outubro foi celebrado o “Dia dos Animais” e, não por pura coincidência, esta data coincide com o dia de São Francisco de Assis. O santo foi amante e defensor dos animais durante toda sua vida. Amar a natureza e celebrar esta data não pode se limitar apenas na prática (que eu mesmo faço com frequência) de tirar fotos ou as famosas “selfies” com flores, árvores e os animais de estimação. Amar a natureza – como amar tudo aquilo que está ao nosso redor – deve sempre ter como base e princípio o RESPEITO. O amor aos animais – como todo outro tipo de amor – deve ser completo e absoluto, sem condições. Não posso amar meu cão de companhia e detestar ou maltratar o animal do meu vizinho; sou assim levado a idolatrar todos os animais, inclusive o do meu vizinho. Temos de fato uma enorme – e errônea tendência – a desligar nossa imagem como seres humanos dos animais, e esquecemos que também somos animais! O dia dos animais então seria não apenas o dia do cachorro, do gato, da vaca, do porco, mas igualmente o dia dos seres humanos.

 

Nós nos comportamos de forma tão impositiva e dominante, como se fossemos os “reis” do nosso planeta, a espécie dominante, sapiente e inteligente, e assim nos desligamos, munidos de um assustador automatismo, das outras espécies. Graças à nossa evolução genética, social, religiosa e cultural, nos colocamos no topo da pirâmide como seres que dominam o planeta. Entretanto, este cenário nem sempre foi verdadeiro, milhares de anos foram necessários para que nós pudéssemos alcançar o topo da cadeia alimentar, social e civilizatória em nosso planeta. Não foi uma evolução da noite para o dia, longe disso, este processo durou milhares de anos e ainda continua acontecendo a cada instante.

 

Construímos grandes metrópoles, criamos plantas e seres vivos geneticamente modificados, hoje tudo (ou quase tudo) é possível ser desenvolvido em um laboratório. Mas, neste aspecto, peço cautela porque a Ciência moderna existe apenas há 500 anos, e nem tudo por ela pode ser explicado. Infelizmente, nossa própria sapiência está sendo ameaçada, e não pela existência de seres sobrenaturais que virão de outros planetas para nos dominar e escravizar, e sim por nós mesmos. A única espécie do planeta munida da RACIONALIDADE é também aquela que tem o poder de criar e modificar seu meio, habitar áreas remotas, como topos de montanhas ou grandes desertos (vide: Las Vegas). Ao mesmo tempo, somos destruidores do nosso meio, da Amazônia, do Cerrado, dos recifes de corais, dos Oceanos e assim por diante.

 

Somos “criadores-destruidores”. Algo tão paradoxal! Construímos em uma velocidade assombrosamente acelerada e, nesta mesma velocidade, também destruímos. Precisamos de fato pensar e refletir todos os dias sobre nossas práticas, e acredito que a data de ontem tem uma extrema importância para a reflexão. Somos seres racionais e inteligentes, do gênero sapiens, da espécie Homo, o que nos dá a possibilidade de rever certos conceitos e práticas que podem, não apenas levar à extinção e à destruição de outros animais, como a nossa própria ruína e desaparecimento.

 

Um lugar que tive a oportunidade de visitar que me fez pensar e refletir bastante sobre o meu “eu” e minhas práticas foi a incrível cidade de Assis, na Itália, que leva o nome de São Francisco. Nela viveu o homem que pregou suas crenças, de protetor dos homens, dos animais e da vida. Não importa de qual religião ou crença nós pertencemos, é inegável a quantidade de energias positivas que fluem naquela cidade. Cada canto tem uma história diferente, cada pedra vem até nós e nos conta um conto. De fato, é um lugar repleto de espiritualidade, paz e a cima de tudo de reflexão.

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Destaque

O ATIVISTA

 

together
Tradução: “Unidos venceremos, divididos cairemos”

 

Ativismo: “pode ser descrito como qualquer doutrina ou argumentação que privilegie a prática efetiva de transformação da realidade em detrimento da atividade exclusivamente especulativa”.

 

Ativista: “pessoa que trabalha de modo ativo por uma causa; pode referir ao ativismo ou à pessoa partidária do ativismo; que exerce a militância por uma causa”.

 

Lutas e batalhas são travadas diariamente em todas as partes do mundo por pessoas provenientes de culturas distintas e visam melhorar a sociedade na qual vivem. Aqui está a qualidade que mais respeito e prezo no ser humano, a vontade de fazer mudanças e esta é, de fato, uma característica primordial.

 

Felizmente, nos últimos tempos, tenho observado a união entre os indivíduos cada vez mais forte e presente. A compaixão e a compreensão por uma determinada causa não se restringem apenas a um determinado grupo de pessoas ou fatia da sociedade. Posso observar, a título de exemplo, pessoas que militam por causas que não os concernem diretamente, que defendem e lutam pelos direitos dos refugiados e imigrantes sem fazerem parte destas condições.

 

Posso observar uma conscientização de massa que me mostra que não é porque eu não sou um refugiado ou imigrante que não posso militar e lutar pelos mesmos. Não é porque eu não seja uma mulher que eu não possa a elas me aliar para lutar pelos seus direitos e espaços dentro na sociedade, não é porque eu seja negro ou mulato que não eu possa militar pelos seus direitos. Resumindo, posso atuar e ser ativo em várias frentes que não me tocam diretamente. Isso mostra de uma certa maneira o fim de um egoísmo onde eu lutaria apenas por aquilo que me diz respeito.

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