PEDRA A PEDRA

 

 

 

 

SONETO III

“A cidade sentia falta do senhor

que pela jovem mulher perdera a vida.

Mas ninguém sentiu falta daquela insignificante

e outrora prostituta. Tinha Sumido.

A vida não dava oportunidades para ela

que tanto ansiava e buscava a mudança.

A facada contra o senhor a libertou.

Mas também a condenou para todo o sempre.

Capturada aos gritos da multidão:

“Prostituta, escória, assassina!

Queime a bruxa em praça pública!”

O prefeito e o clero ouviram as vozes da cidade

e assim decidiram obedecer.

No meio da praça…nua, humilhada, apedrejada, julgada… Ali sangrava pela última vez”

 

FIM.

 

J.G.P.A – 05/11/2018 – Americana, SP – Brasil

 

 

 

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CEM ANOS DEPOIS…E NUNCA ESTIVEMOS TÃO PERTO DAS TRINCHEIRAS – PARTE I

 

TRINCHEIRA - SUPER INTERESSANTE ed. ABRIL
“Por dentro das trincheiras” – Fonte: Revista “Super Interessante” – Editora Abril,  na edição do dia 26 de setembro 2016 – “História, Mundo Estranho”

 

PARTE I: Guerra, o alicerce da civilização.

 

No dia onze de novembro comemora-se todos os anos o final da Primeira Grande Guerra Mundial da era Moderna. Uma guerra de proporção continental que envolveu os últimos impérios da Europa, deixando um contingente de mortos tanto militares como civis, de fato esse conflito foi e sempre será um marco na História da Humanidade. Soldados marchando, lutando, morrendo e matando por ideais e convicções que lhes foram impostas pelos seus “senhores”. Famílias foram destruídas, mulheres ficaram viúvas, filhos e filhas ficaram sem pais. Cidades foram destruídas e desoladas; fome, doenças e outras causas de morte diretamente ligadas à guerra causaram um grande choque no continente europeu.

 

 

Esse conflito também ficou conhecido – popularmente – como a “guerra das trincheiras”, pois pela primeira vez a construção de tal artifício de guerra foi colocada em prática com tanta onipresença e magnitude. O que eram as trincheiras? Basicamente – e de forma bem resumida – eram buracos cavados em frontes de batalhas que se estendiam por centenas de quilômetros onde ficavam abrigados os soldados. Para se ganhar território era necessário destruir e conquistar a trincheira inimiga em face, e conforme os batalhões iam avançando outras trincheiras eram construídas para garantir o domínio sobre tal território recém conquistado. Em outras palavras, era uma tática de guerra audaciosa, mas ao mesmo tempo completamente insalubre para a vida dos soldados, que como se não bastasse, eles colocam suas vidas em risco não apenas por uma guerra que eles foram forçados a lutar, mas também pelas condições higiênicas e sanitárias de tal forma de conflito…

 

 

No ultimo dia onde de novembro então foi celebrada o centenário do armistício da Primeira Guerra, cem anos do final do conflito, enfim, DESTE conflito, porque se analisarmos de perto antes de tal guerra o mundo sempre foi o cenário de guerras e batalhas; e nós – seres humanos – somos dotados de uma enorme incapacidade de aprender com os erros do passado, de aprendermos com a nossa História, com as histórias de nossos antepassados! Obviamente, não foi o fim de todos os conflitos, mas mesmo assim é importante nos lembrarmos de tal data e das atrocidades consequentes de tal guerra. Embora, 37 anos depois de tal conflito, uma Segunda Guerra estourou na Europa e no mundo. Vimos o poder bélico misturado com interesses mesquinhos e um espírito de vingança e ódio da Alemanha nazista e seus aliados que se alastravam pelo mundo.

 

 

Depois do final de tal guerra, vimos duas bombas atômicas despencarem – propositalmente – dos céus de Hiroshima e Nagasaki; em seguida veio a Guerra Fria, e lá novamente o mundo se dividia em dois blocos, em duas classes. Posteriormente, passamos por conflitos tais como as guerras de independência das colônias africanas, do Vietnã, das Coréias, do Iraque, do Irã, do Afeganistão, e  assim por diante, até o “mais recente” dos conflitos enormemente destruidor e mediatizado com a guerra na Síria, gerando assim a maior crise de refugiados da História da Humanidade, somados a tal conflito, temos outras massas de populações ao redor do globo que são forçadas a migrarem para outros territórios no intuito de garantir suas respectivas sobrevivências e fugir das perseguições étnicas, culturais, políticas e religiosas… Sem esquecermos do conflito “mais antigo e duradouro” da Humanidade no Crescente Fértil!

 

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PAU A PAU

Música:  “Air” por  Johann Sebastian Bach

 

 

SONETO II

 

 

 

“Ainda coberta com o sangue do senhor,

andava sem rumo pelas ruas, perdida.

Foragida do seu destino, criminosa e assassina;

Era hora de recomeçar.

Numa casa de pão, achou uma boa alma

e lá encontrou seu ganha-pão.

Pegava a lenha, punha no forno,

mexia e remexia a farinha, fazendo tranças de amor.

Trabalho e suor, cansaço e medo,

uma nova vida para a antiga dama da noite.

Transpirar no forno era melhor, ah! era melhor do que na cama!

Liberada da servidão de servir com seu corpo,

agora os cabelos louros e suas mãos macias

serviam pão e comida; que utopia…de liberdade..?!”

 

 

J.G.P.A – 05/11/2018 – Americana, SP – Brasil

 

 

XIII – XI – MMXV

 

 

 

 

hidalgo ed philippe
Crédito imagem: LePoint.fr –  “Prefeita de Paris, Anne Hidalgo e o Primeiro Ministro Francês, Édouard Philippe”

Há exatos três anos nesta mesma data, na França, ataques terroristas aconteciam durante a madrugada. Tiroteios e sangue dominavam o cenário da capital francesa, Paris. Dentro de uma sala de espetáculos onde jovens aproveitavam de sua noite de fim de semana junto aos seus amigos, amores, familiares; atiradores entraram na sala e transformaram um show de música em banho de sangue. No Stade de France, uma bomba foi explodida no exterior do mesmo, nas ruas, atiradores faziam vítimas aleatórias pela cidade, miravam e tiravam vidas de parisienses e turistas que aproveitavam aquela noite nas charmosas ruas da cidade da Luz.

Enquanto tudo isso acontecia, lá estava eu, num vilarejo remoto não muito distante da cidade de Lyon, dormindo. E durante a madrugada meu celular começou a pipocar de notificações e a cada minuto que se passava mais informações chegavam e o número de vítimas só aumentava. Voltar a dormir naquela noite era difícil, quase impossível, mas o pior de tudo foi acordar na manhã seguinte e perceber que de fato – aqueles acontecimentos bárbaros e violentos – não faziam parte de um sonho, era a mais pura e vívida realidade. Juntamente com o país inteiro eu acordei com um enorme vazio dentro do coração e uma profunda tristeza por causa dos ataques e do número de mortos e feridos que se atualizavam a cada instante na televisão.

Tristeza e incompreensão, medo e incertezas, esses eram os sentimentos que tomavam conta de mim; dormir em paz em um dia e acordar na manhã seguinte com o país inteiro em choque e banhado de sangue, não existe nada de mais horrível e detestável nesse mundo. Três anos depois e mesmo assim, cada vez que eu fecho os olhos e deixo-me carregar para aquela aurora vermelha de sangue, a tristeza me domina; sinto-me incompleto, como se tivesse perdido uma parte do meu ser, do meu “eu” naquela noite.

Em memória de todas as vítimas, familiares, amigos, parisienses, franceses, e de toda a juventude do mundo, expresso os meus sentimentos e pêsames mais sinceros e profundos!

À la memoire de tous ceux qui sont tombés le 13 novembre 2015, à leurs proches, à leurs familles, aux parisiense, et à toute la jeunesse du monde, j’exprime mes sentiments et condoléances les plus sincères et profondes!

 

J.G.P.A – 13/11/2018 – Americana, SP – Brasil

 

MUSA DO VENENO

agrotTOX
Crédito imagem: Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

“Parece uma rosa
De longe é formosa
É toda recalcada
Alegria alheia incomoda

Venenosa!

Erva venenosa
É pior do que cobra cascavel
Seu veneno é cruel”

 “Erva venenosa” – Interpretada por Rita Lee; Compositores: Jerry Leiber / Mike Stoller

 

Como se não bastassem os outros eventos e acontecimentos dessa longa semana, acredito que o assunto sobre qual irei tratar agora é de uma extrema importância para nossas vidas, para cada um de nós… A hora de entrar em pânico chegou! Neste fim de ano, com um governo recém eleito, temos de um lado um Congresso se aproveitando de seus últimos dias ( principalmente para aqueles que não conseguiram suas reeleições) e também de baixíssima popularidade do Presidente Michel Temer para que se aprovem “pautas bombas”, em outros termos, leis e modificações são votadas todos os dias numa velocidade jamais vista antes naquilo que chamamos de “governo transitório”. De fato, as pautas que estão sendo votadas e aprovadas estão se apoiando fortemente na impopularidade do “Senhor do Jaburú”. Ora, por que isso está acontecendo?

É mais fácil aprovar pautas que são – digamos – “impopulares” quando o líder do governo também desfruta de tal impopularidade, fazendo desta maneira uma transição para um novo governo que terá um único argumento para sua defesa “isso foi votado no governo precedente, não no meu, tá ok?”. Todavia, o governo que irá assumir o país no dia 1º de janeiro de 2019 não poderá se servir deste pretexto para justificar sua escolha para o Ministério da Agricultura, a Deputada Tereza Cristina Dias, popularmente conhecida como a “Musa do Veneno”, líder da Bancada Ruralista na Câmara, filiada ao partido DEM.

Não entrarei em detalhes sobre a biografia desta senhora, nem das recentes e não tão recentes acusações que lhe foram acordadas em escândalos de corrupção e outras polêmicas. Vou ater-me as palavras e aos projetos desta senhora, e principalmente sobre seu apelido “A Musa do Veneno”.

A deputada foi de fato  a principal articuladora e responsável pelo projeto de lei nº 6.299/2002, que regulamenta o processo de registro de agrotóxicos no Brasil; em outras palavras um projeto que visa a afrouxar o uso indiscriminado e inconsciente de agrotóxicos no Brasil. A lei anterior que regularizava esse mesmo uso – já era bem falha, convenhamos – agora está mais fragilizada ainda. Claro, existem os grandes latifundiários e defensores do agronegócio que estão vibrando com esta nossa lei e com a indicação da Deputada para o Ministério da Agricultura, assim como empresários – que fabricam agrotóxicos – e nós, como cidadãos e consumidores? Como ficamos? Como devemos reagir face a tal lei e a tal indicação ministerial pelo recém-eleito Presidente Jair Bolsonaro?

Nossa “tolerância” no que se refere ao uso de agrotóxicos no Brasil é 5 mil vezes mais elevada do que a que é permitida pela União Europeia! Não duas, ou três vezes maior, mas sim, 5 mil vezes maior! As consequências desta mudança podem não nos afetar diretamente num período a curto prazo, mesmo que em alguns lugares do Brasil, já existem casos de fetos acefálicos, deformações genéticas, um crescimento radical de certos tipos de câncer que afeta principalmente os trabalhadores rurais, os operários das usinas de fabricação de veneno; e obviamente, os consumidores, vocês, eu, nós!

Continue lendo “MUSA DO VENENO”

OLHARES CRÍTICOS E INDISCRETOS

OLHAR lena gal
Obra:”Hesitação no olhar” por Lena Gal -Acrílico sobre tela
76 cm x 67 cm

 

Seria impróprio confundir a vida e a arte?

Inconveniente ao dizer que o romance é uma condenação?

Afirmar que a busca por desejos e sensações de prazer é imoral?

Vaidade ou hipocrisia? Essas renúncias consistem em arrependimentos?

Talvez essas renúncias possuem origens nas mais puras vaidades.

Talvez.

Mas são essas vaidades que nos tornam humanos.

Cada capítulo da história parece conter textos altamente codificados, dada a necessidade de segredos e precaução.

Parecendo que um segredo guardado está conduzindo o sujeito a uma vida dupla cheia de enigmas.

Podendo ser mistérios profundamente extraordinários e belos, ou mistérios que aos olhos da sociedade tradicionalista, não passa de uma insanidade depravada.

Mas oras, porque politizar ou julgar como inadequado um romance?

Toda forma de amor deveria ser respeitada.

Todos os olhares críticos e indiscretos deveriam deixar de existir.

Todas as palavras malditas e comportamento de abominação deveriam ser reconhecidos como insanidade mental.

Depois de anos de submissão, de aniquilamento das diferenças, é um dever do ser humano, é um dever social proteger a diferença contra a ignorância e imbecilidade dos corações cheios de ira.

É essencial pregarmos o amor e não o ódio.

Pregar a paz, e não criar um ciclo vicioso de vingança.

Aprender com as nossas diferenças, e respeitar os próximos como eles são.

Quanto mais lidamos como a intimidade de alguém, mais lidamos com seu sofrimento.

Já basta! de sofrimentos, escândalos, acusações e mortes.

O que nossa alma precisa mesmo é de um pouquinho de paz.

 

 

Por: Bheatriz Britto – 06/11/2018 – Campinas, SP – Brasil

GOTA A GOTA

Música: Sarabande de Handel

Soneto I

“Lá fora caíam gotas de chuva

Lá dentro escorriam gotas de sangue.

Fora fazia frio e a névoa imperava,

Dentro estava abafado, quase insuportável.

Linda e jovem mulher, na cama deitada

De seus olhos escorriam lágrimas de tristeza.

O senhor que sobre ela se deliciava,

Ah! Dele escorriam gotas de suor e prazer!

Pele de seda, ingênua, e fadada a um destino

não de fada, mas de prostituta.

Sempre lá dentro, servindo o senhor; como a maioria d suas órfãs amigas.

Gotas de sangue vermelhas, logo se tornavam pretas

com uma só facada ela tirou a vida;

Daquele que dela abusava em troca de uma, ou três…moedas de prata.”

 

 

 

J.G.P.A – 05/11/2018 – Americana, SP – Brasil