CHEMIN DE FER

chemin

 

Pelos trilhos daquela longa estrada de ferro,

Andei.

A cada parada, uma surpresa, uma aventura.

Confesso que em algumas estações, estacionei,

tardei e por lá fiquei mais tardiamente.

Por outras apenas observei – não muito interesse tinham;

Então passei e continuei.

O barulho das rodas tocando os trilhos,

a fumaça que saía da caldeira empesteava o vagão.

Vaguei.

Uma jornada só de ida sem volta,

Reto, reto, toda vida, reto,

Sem para trás olhar, e sempre continuar.

Nostalgia.

Arrependimento.

Talvez deveria ter parada naquela estação por mais tempo.

Tarde demais, o trem continua seu curso.

Nada para a máquina a vapor que me conduz.

Atravessando tempestades, céus límpidos, chuvas cortantes,

Sem descarrilhar, lá vai o trem, e eu sei fiel passageiro,

dentro.

Não é só de ferro e carvão o gosto da estrada de ferro,

tem também o gosto da brisa, do frio e do calor,

do desgosto, do vinho, dos poemas e versos.

E o gosto mais marcante, mais tocante, que me faz tremer,

arrepiei-me.

Gosto de amor, um verdadeiro esplendor.

Mais uma estação à frente – avisa o maquinista.

Nessa decido prolongar minha estadia,

olhos de safira, lábios de rubi,

cabelos de ouro.

Estação chamada “beleza e ternura”.

Pura.

Sei que ei de pecar, mas que os deuses me perdoem,

Esta estação cativou minha atenção!

Quero para sempre aqui ficar,

o trem pode partir, seguir sem mim,

não me importo mais, pois no meio de tantas estações,

atravessando multidões, trocando palavras com aldeões,

enfiem encontrara o que sempre buscara.

Mas quem disse que existe justiça no mundo?

O maquinista avisa, a caldeira aquece,

o ouro rapidamente se funde, os lábios que outrora

eram rubis, carvão se tornam.

E o trem precisava partir.

Olhos de safira que agora são vagas memórias,

o trem segue e para trás não posso ficar,

junto a ele devo viajar…

Já atravessei guerras e tempestades, vi a Morte e a Vida,

encontrei amores e dores, mas nunca o trem ousou,

sequer por um segundo, por um segundo sequer,

perder seu ritmo, sair dos trilhos e descarrilhar,

jamais. O trem da vida segue,

pelo caminho de ferro, e eu seu fiel passageiro,

Sigo.

Quem sabe na próxima estação não serei mais afortunado?

O trem segue sempre em frente,

mas em minha mente restam e descansam,

por vezes me assombram os fantasmas das estações passadas

e para trás ficadas.

Memórias, cheiros, cores, alegrias, tristezas,

sigo em frente com o trem.

E reconforto-me – dizendo-me – sempre haverá uma próxima estação,

outros cheiros e cores, amores e dores;

Para trás não posso ficar.

Eu, o fiel passageiro, devo seguir por este caminho

que não é apenas de ferro.

 

 

J.G.P.A – Americana, SP – Brasil

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