RESENHA #1: “O CONSTRUTOR DE PONTES”

Caixa “Intrínsecos” nº#3 ” O construtor de pontes” de Markus Zusak. Fonte:
nostalgiacinza.blogspot.com

   Após a leitura do livro “O construtor de pontes” (título original: “The bridge of Clay”) do autor australiano Markus Zusak, deixo aqui registrada minha opinião sobre esta obra literária. Uma história envolvente, de tirar o fôlego, um livro que se lê rapidamente devido a maestria do domínio da linguagem e da escrita do autor.

 

   Quando comecei a ler este livro ficou difícil parar; recheado de suspenses e flashbacks o autor nos leva à uma viagem dentro de uma casa onde vivem os cinco irmãos Dunbar. Se eu tivesse que resumir em uma palavra o livro inteiro, essa palavra seria: família. A genialidade do Zusak entra na maneira de contar e relatar a história familiar, fatos banais (outros nem tanto) que nos conecta de uma maneira ou de outro com pelo menos uma das personagens ou até mesmo todas. Retratar a vida de uma família pode parecer algo corriqueiro, mas este é o fio condutor que nos aproxima – como leitores – das histórias familiares.

 

   Um ponto incrível do livro é que os inícios das histórias e das vidas das personagens nunca são realmente os começos, sempre há algo que precede antes dos inícios sempre existem outros elementos e fatos predecessores. O autor trabalha este aspecto de uma forma realmente cativante que nos leva a querer saber sobre o passado de cada um dos garotos e todas as outras histórias que precedem a vida deles.

 

   Uma viagem artística e cultural indo da Ilíada e Odisseia de Homero até as obras de Michelangelo, mas também há espeço para Mozart, Bach e um piano. Podemos encontrar animais de estimação insólitos e improváveis, romances e tragédias. Passando por esportes como o Atletismo ou as histórias de jóqueis, joquetas, cavalos, páreos. E claro, a máquina de escrever, que é o objeto usado pelo narrador da história para relatar os fatos de sua família.

 

   Mas não podemos nos esquecer das pontes, dos arcos, do trabalho árduo e do rio. A simbologia por trás da construção de uma ponte é inexoravelmente ligada com a edificação de uma família, do seu presente, passado e futuro. Pai e filhos, mãe e filhos; irmãos. A história gira em torna da fraternidade entre os cinco irmãos, porém vai muito além; sim, são irmãos que dividem o mesmo teto, mas cada um deles tem suas histórias que não são tão paralelas quanto parecem. No começo, temos a impressão que as vidas dos irmãos são desconectadas umas das outras e que as únicas coisas que os unem são: os animais, as brigas, os filmes, os treinos, um Assassino e um velho piano.

 

 

   Para a nossa surpresa – ao longo da história – vemos que todas as histórias estão conectadas e acabam se encontrando em um dado momento, nem sempre de forma harmoniosa ou previsível. Mas se olharmos para o título original em inglês, já sabemos que o fio condutor da história é o quarto irmão Dunbar: Clay (abreviação de Clayton, e uma observação necessária: “clay” em inglês significa argila). A ponte pode ser a de Clay, mas o seu feito envolve todas as personagens e conecta todas as histórias subjacentes; o processo de construção da ponte faz reviver os fantasmas do passado, acordar os mortos e traz à tona personagens antecessores que têm suas respectivas importâncias para a construção da narrativa. Edificar pontes – um ótimo plano de fundo usado por Zusak – para fazer a ligação entre o passado e o presente dos garotos Dunbar; mas, uma ponte – em teoria – é também vitalícia e indestrutível (quando consegue ter bases firmes para aguentar a correnteza dos rios), não seria uma maneira de fazer a conexão entre o presente e um possível futuro dos membros desta família?

 

   O que mais me tocou na história é a forma como ela é narrada e sim, por mais que nós não tenhamos uma mula de estimação chamada Aquiles, nós podemos nos encontrar e fazer um paralelo com nossas vidas durante a leitura. Talvez nós não sejamos – literalmente – construtores de pontes, ou será que somos?

 

   Enfim, prefiro me ater a este pequeno resumo do livro para não revelar os segredos que estão em cada página, em cada personagem e em cada arco de uma ponte. Recomendo – sem dúvida alguma – a leitura desta obra que apesar de parecer banal é completamente o oposto:

 

“[…]Éramos ilíadas em branco, vazias.

Éramos odisseias à sua mercê[…]”

 

   Uma última coisa antes de instigar ainda mais a vontade de você, cara leitora, caro leitor, de ler este livro: é sempre bom ter um lencinho por perto caso venha a cair algumas lágrimas…por precaução, apenas.

 

BOA LEITURA!

 

J.G.P.A – 07/01/2019 – Americana, SP – Brasil “O Admirador”

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2 comentários em “RESENHA #1: “O CONSTRUTOR DE PONTES”

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