CRÍTICA #1: O QUINTO ELEMENTO

5 elemento
Foto da Companhia Cria Criou Artes – Teatro Municipal de Americana “Lulu Benecase” – 18/11/2018

 

 

Lembro-me como se fosse ontem – aquele marasmo de final de tarde de um domingo qualquer, até então – sem muito o que fazer; sem ao menos motivação nem vontade para sair de casa, estava lá, lendo algum livro ou alguma notícia de meu interesse. Mas tudo mudou naquele domingo 18 de novembro de 2018 quando vi em uma rede social que aconteceria na cidade de Americana (interior de São Paulo) um espetáculo no Teatro Municipal Lulu Benecase chamado “O Quinto Elemento”, uma das diversas composições do Circuito Cultural Paulista de 2018.

 

Confesso que não tinha grandes expectativas em relação ao espetáculo (arrependo-me até hoje por este pré-julgamento que fiz); mas o mesmo era gratuito, então decidi ir ao teatro para me distrair e tentar fazer com que aquele longo domingo se terminasse mais rapidamente. No caminho – em direção ao teatro – começou a chover, mesmo assim não fiz meia volta e continuei até meu destino; cheguei uns 45 minutos antes do começo do espetáculo, tive tempo de beber uma água, apreciar o saguão do Teatro (o qual eu não frequentava há mais de anos; no mínimo uns sete). Aos poucos as pessoas iam chegando, estavam ali: proseando, amigos, famílias, conhecidos, encontros não programados, colocando a conversa em dia.

 

Realmente não sabia o que esperar a propósito do que estava por vir quando as cortinas se abririam à minha frente. Sentei-me na parte central do Teatro (que estava quase vazio, mas para a minha surpresa, as pessoas não cessavam de chegar, aos poucos e em doses homeopáticas, no entanto, chegavam) e apreciava o que estava à minha volta: as lindas cortinas vermelhas, observava também as pessoas e seus comportamentos; algo me marcou muito naquela noite: o cheiro do Teatro, era uma mistura de nostalgia da infância com um leve aroma de expectativa e para completar um perfume que exalava arte. Já me sentia muito mais confortável que há alguns minutos desde minha chegada ao espaço de arte.

 

Ainda assim, não sabia o que esperar daquele espetáculo, mas a hora do início estava próxima, a música parou repentinamente, as pessoas ali presentes cessaram suas conversas, as luzes se apagaram quase completamente. Por um segundo senti meu coração parar, e logo acelerar novamente, senti-me como se fosse a minha primeira ida ao Teatro. Estava ansioso e a expectativa já tinha passado de baixa para um outro nível; bem superior: uma combinação de emoção e euforia e ansiedade e… um homem começou a caminhar do fundo da sala até o palco. O espetáculo havia começado.

 

O que veio depois foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido naquele remoto e parado 18/11/18: a redescoberta dos cinco elementos. Elementos artísticos e humanos, música, dança, acrobacia, maquiagem, luzes, mensagens…Percussão, circo. Realmente um espetáculo completo para todos os gostos, idades, classes, gêneros e assim por diante. Os quatro primeiros elementos em questão eram: Pintar, Iluminar, Emitir e Mover… O quinto era eu, nós, a plateia, compúnhamos o QUINTO ELEMENTO. A cada dança, a cada acrobacia, eu me sentia parte do espetáculo, envolvia-me mais e mais, com uma tal intensidade que fazia muito tempo que não via em um teatro.

 

No palco não havia “apenas” atores, todas e todos com seus charmes e habilidades e o poder de comover uma plateia inteira eram: ARTISTAS COMPLETOS! Eram flagrantes a disciplina, os ensaios, as ideias, e toda a árdua composição que estavam por trás daquele momento. Um verdadeiro profissionalismo sem igual; artistas de todas as idades, essa heterogeneidade para mim foi algo marcante; mulheres e homens, dançando, quebrando preconceitos e tabus.

 

Não havia mais divisão entre palco e plateia, éramos UM SÓ! Difícil é saber quem se divertia mais, eles ou nós. Nas diversas expressões dos artistas era possível ver o esforço de cada uma e cada um para nos oferecer o máximo de suas capacidades e habilidades. Os sorrisos em seus rostos, a perfeição das coreografias, a percussão com tambores de plástico que despencaram do teto do palco, as manobras de overboards, os balões de led… Realmente de tirar o fôlego!

 

Minha volta ao Teatro não poderia ter sido melhor, a “Companhia Cria Criou Artes”, vinda da cidade de Santos, litoral de São Paulo, realizou naquela noite de domingo uma performance digna do nome de: ESPETÁCULO! Hoje, completando pouco mais de um mês desde o espetáculo, quando penso naquela noite e fecho os olhos, sou diretamente levado, carregado novamente para a magia de “O Quinto Elemento”.

 

Bravo! Bravo! Bravíssimo!

 

 

J.G.P.A – 20/12/2018 – Americana, SP – Brasil

” Categoria: O ADMIRADOR”

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