CEM ANOS DEPOIS… E NUNCA ESTIVEMOS TÃO PERTO DAS TRINCHEIRAS – PARTE II

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Pintura por Pedro Américo – A Guerra do Paraguai

Parte II: As atuais trincheiras brasileiras.

 

Vivemos em um cenário de guerra e conflito constantes, nenhuma teoria, pensador, filósofo, sociólogo, ou seja lá qual for a especialidade de tal indivíduo pode negar essa afirmação. No caso específico do Brasil a guerra que vivemos é interminável, mortífera e assustadora. Ela não está confinada nos morros ou em centros urbanos abandonados, ela faz parte do cotidiano de cada brasileira e brasileiro, habitante do Leblon ou da Rocinha, do Jardins ou de Teresópolis, ninguém está ao abrigo do conflito que impera e domina a terra tupiniquim.

 

Polícias patrulham cada esquina e bairro, câmeras de segurança são instaladas juntamente com alarmes e todo e qualquer tipo de proteção. Mulheres andam nas ruas com medo, jovens perambulam com a sensação de insegurança; viver no Brasil é de fato – a título comparativo – pior do que na Savana onde precisamos escolher entre matar ou morrer. Afinal, quem são os inimigos desse conflito fatídico e mortífero no nosso país? Quais são os dois lados? Quem é amigo de quem? E quem é o inimigo?

 

A guerra que aqui existe não é dividida em apenas dois polos como uma partida de futebol onde um time joga contra o outro: o conflito é aqui é de todos contra todos! É o da mulher que batalha para conquistar direitos numa sociedade misógina e machista, é o da comunidade negra que compõe 54 por cento da população que ainda não libertou da escravidão do preconceito, é o da comunidade LGBT+ que é massacrada em nosso país com números assustadores ( no Brasil a homofobia é tão opressiva que se mata mais gays, lésbicas, transexuais, bissexuais do que em 13 países em que relações homoafetivas são consideradas CRIME por lei), é o conflito também do pobre, do trabalhador (operário ou do campo) que a cada dia só perde direitos e saúde em prol da engrenagem capitalista da qual ele pertence. A guerra também – por incrível que pareça – é dos povos indígenas, únicos e verdadeiros donos dessa terra – que hoje habitam em “reservas”, em espaços que são oferecidos a estes povos como se fosse algo de que os governantes deveriam se orgulhar, mas não é nada mais do que a normalidade, eles merecem estas terras; e estas últimas estão ameaças pro grileiros, latifundiários, garimpeiros, madeireiros para assim explorar as riquezas naturais e mais uma vez fazer girar o motor da máquina econômica.

 

 

A guerra que vivemos não é apenas entre os indivíduos sociais aqui presentes e sim uma guerra contra a natureza, os ecossistemas, os animais… O individualismo – termo “à la vogue”, no Brasil e no  mundo desde o final do século XIX – é o grande vilão dessa História sangrenta, aliada, notoriamente, com a sociedade de consumo desenfreado e irresponsável; numa lógica que nos foi “vendida” e difusa de que ter e acumular seria sinônimo de poder e status social visando a ascensão e a construção de uma “elite”. Tal elite, a do consumo e das posses, não merece sequer ser respeitada como sendo uma elite, este termo deveria ser reservado aos intelectuais, músicos, artistas, ativistas, pensadores; elite deveria ser o adjetivo usado para classificar a classe de indivíduos que batalham – de forma pacifica e pacifista – por um mundo melhor, isso sim deveria constituir a elite; e não aquele que possuí o carro do ano, a cobertura no melhor edifício, ouro e diamantes, este é apenas e unicamente um indivíduo dotado de meios monetários, nada mais que isso.

 

 

A guerra no Brasil vai muito além dos exemplos citados a cima, é a do morro contra os bairros nobres, do branco contra o negro e assim por diante: sim, aqui nessa terra maravilhosa existem – infelizmente – conflitos de todos os tipos. Todos contra todos e desta forma nem ao menos percebemos que estamos em guerra; o ódio une o Brasil, basta olhar ao nosso entorno para perceber que isso é real. Não somente no Brasil, mas no mundo inteiro, a História e contemporaneidade da Humanidade é baseada em guerra; essa guerra foi, é e sempre entre aqueles que têm e os desprovidos…

 

CONTINUA…

 

J.G.P.A – 25/11/2018 – Americana, SP – Brasil

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