CEM ANOS DEPOIS…E NUNCA ESTIVEMOS TÃO PERTO DAS TRINCHEIRAS – PARTE I

 

TRINCHEIRA - SUPER INTERESSANTE ed. ABRIL
“Por dentro das trincheiras” – Fonte: Revista “Super Interessante” – Editora Abril,  na edição do dia 26 de setembro 2016 – “História, Mundo Estranho”

 

PARTE I: Guerra, o alicerce da civilização.

 

No dia onze de novembro comemora-se todos os anos o final da Primeira Grande Guerra Mundial da era Moderna. Uma guerra de proporção continental que envolveu os últimos impérios da Europa, deixando um contingente de mortos tanto militares como civis, de fato esse conflito foi e sempre será um marco na História da Humanidade. Soldados marchando, lutando, morrendo e matando por ideais e convicções que lhes foram impostas pelos seus “senhores”. Famílias foram destruídas, mulheres ficaram viúvas, filhos e filhas ficaram sem pais. Cidades foram destruídas e desoladas; fome, doenças e outras causas de morte diretamente ligadas à guerra causaram um grande choque no continente europeu.

 

 

Esse conflito também ficou conhecido – popularmente – como a “guerra das trincheiras”, pois pela primeira vez a construção de tal artifício de guerra foi colocada em prática com tanta onipresença e magnitude. O que eram as trincheiras? Basicamente – e de forma bem resumida – eram buracos cavados em frontes de batalhas que se estendiam por centenas de quilômetros onde ficavam abrigados os soldados. Para se ganhar território era necessário destruir e conquistar a trincheira inimiga em face, e conforme os batalhões iam avançando outras trincheiras eram construídas para garantir o domínio sobre tal território recém conquistado. Em outras palavras, era uma tática de guerra audaciosa, mas ao mesmo tempo completamente insalubre para a vida dos soldados, que como se não bastasse, eles colocam suas vidas em risco não apenas por uma guerra que eles foram forçados a lutar, mas também pelas condições higiênicas e sanitárias de tal forma de conflito…

 

 

No ultimo dia onde de novembro então foi celebrada o centenário do armistício da Primeira Guerra, cem anos do final do conflito, enfim, DESTE conflito, porque se analisarmos de perto antes de tal guerra o mundo sempre foi o cenário de guerras e batalhas; e nós – seres humanos – somos dotados de uma enorme incapacidade de aprender com os erros do passado, de aprendermos com a nossa História, com as histórias de nossos antepassados! Obviamente, não foi o fim de todos os conflitos, mas mesmo assim é importante nos lembrarmos de tal data e das atrocidades consequentes de tal guerra. Embora, 37 anos depois de tal conflito, uma Segunda Guerra estourou na Europa e no mundo. Vimos o poder bélico misturado com interesses mesquinhos e um espírito de vingança e ódio da Alemanha nazista e seus aliados que se alastravam pelo mundo.

 

 

Depois do final de tal guerra, vimos duas bombas atômicas despencarem – propositalmente – dos céus de Hiroshima e Nagasaki; em seguida veio a Guerra Fria, e lá novamente o mundo se dividia em dois blocos, em duas classes. Posteriormente, passamos por conflitos tais como as guerras de independência das colônias africanas, do Vietnã, das Coréias, do Iraque, do Irã, do Afeganistão, e  assim por diante, até o “mais recente” dos conflitos enormemente destruidor e mediatizado com a guerra na Síria, gerando assim a maior crise de refugiados da História da Humanidade, somados a tal conflito, temos outras massas de populações ao redor do globo que são forçadas a migrarem para outros territórios no intuito de garantir suas respectivas sobrevivências e fugir das perseguições étnicas, culturais, políticas e religiosas… Sem esquecermos do conflito “mais antigo e duradouro” da Humanidade no Crescente Fértil!

 

 

 

Mesmo com o armistício das duas grandes guerras, das tréguas dos conflitos, da fragilizada sensação de paz e segurança, nós nunca – infelizmente – conhecemos a paz até os dias de hoje. Um conflito acaba, outra guerra começa, é um ciclo sem fim, uma roda da “infortuna” que não para jamais de girar. Assim, chego na seguinte conclusão – um tanto quanto depressiva e realista: a Humanidade vive de guerras e não de paz nem harmonia.

 

 

Sim, cem anos depois e ainda vivemos nas trincheiras, principalmente no Brasil atual onde a guerra está tão presente em nossos cotidianos que aprendemos a lidar com ela como se ela fizesse parte da nossa própria existência, arrumamos soluções, alternativas paliativas para escaparmos das “zonas de conflito” e sobrevivermos, mas nãos buscamos com responsabilidade e sabedoria suficientes para resolver e colocar um fim nesta guerra infinita. Talvez não seja do interesse de todos resolver de vez a guerra que nós vivemos, pois sabemos de maneira pertinente que a guerra sempre beneficia e gera lucros para determinadas classes e grupos da sociedade. Em outras palavras, a máquina de fazer guerra é também a máquina de imprimir dinheiro!

 

 

Estes são apenas alguns exemplos sobre guerras que aconteceram desde o armistício da Primeira Guerra Mundial, não devemos ignorar outros conflitos mortíferos e calamitosos que ocorreram durante a História da Humanidade desde seu início, muito menos todos aqueles conflitos que ocorrem até hoje e outras guerras potenciais que estão prestes a estourar. Como podemos desejar – almejar – para enfim encontrarmos a paz e vivermos em harmonia se nossa própria existência como Humanidade se resume e se baseia em guerras, conflitos, extermínios…? Devemos abaixar os braços e nos render? Nos render a ideia de que a paz é uma utopia inalcançável? Acredito que essas perguntas não podem ser respondidas de forma simplista; vale a reflexão. Mas tenho a convicção de que nós nunca devemos desistir dos nossos sonhos e de nossos desejos de alcançarmos a paz.

 

CONTINUA…

 

J.G.P.A – 15/11/2018 –  Americana, SP – Brasil

(“Reflexões aleatórias”)

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