MUSA DO VENENO

agrotTOX
Crédito imagem: Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

“Parece uma rosa
De longe é formosa
É toda recalcada
Alegria alheia incomoda

Venenosa!

Erva venenosa
É pior do que cobra cascavel
Seu veneno é cruel”

 “Erva venenosa” – Interpretada por Rita Lee; Compositores: Jerry Leiber / Mike Stoller

 

Como se não bastassem os outros eventos e acontecimentos dessa longa semana, acredito que o assunto sobre qual irei tratar agora é de uma extrema importância para nossas vidas, para cada um de nós… A hora de entrar em pânico chegou! Neste fim de ano, com um governo recém eleito, temos de um lado um Congresso se aproveitando de seus últimos dias ( principalmente para aqueles que não conseguiram suas reeleições) e também de baixíssima popularidade do Presidente Michel Temer para que se aprovem “pautas bombas”, em outros termos, leis e modificações são votadas todos os dias numa velocidade jamais vista antes naquilo que chamamos de “governo transitório”. De fato, as pautas que estão sendo votadas e aprovadas estão se apoiando fortemente na impopularidade do “Senhor do Jaburú”. Ora, por que isso está acontecendo?

É mais fácil aprovar pautas que são – digamos – “impopulares” quando o líder do governo também desfruta de tal impopularidade, fazendo desta maneira uma transição para um novo governo que terá um único argumento para sua defesa “isso foi votado no governo precedente, não no meu, tá ok?”. Todavia, o governo que irá assumir o país no dia 1º de janeiro de 2019 não poderá se servir deste pretexto para justificar sua escolha para o Ministério da Agricultura, a Deputada Tereza Cristina Dias, popularmente conhecida como a “Musa do Veneno”, líder da Bancada Ruralista na Câmara, filiada ao partido DEM.

Não entrarei em detalhes sobre a biografia desta senhora, nem das recentes e não tão recentes acusações que lhe foram acordadas em escândalos de corrupção e outras polêmicas. Vou ater-me as palavras e aos projetos desta senhora, e principalmente sobre seu apelido “A Musa do Veneno”.

A deputada foi de fato  a principal articuladora e responsável pelo projeto de lei nº 6.299/2002, que regulamenta o processo de registro de agrotóxicos no Brasil; em outras palavras um projeto que visa a afrouxar o uso indiscriminado e inconsciente de agrotóxicos no Brasil. A lei anterior que regularizava esse mesmo uso – já era bem falha, convenhamos – agora está mais fragilizada ainda. Claro, existem os grandes latifundiários e defensores do agronegócio que estão vibrando com esta nossa lei e com a indicação da Deputada para o Ministério da Agricultura, assim como empresários – que fabricam agrotóxicos – e nós, como cidadãos e consumidores? Como ficamos? Como devemos reagir face a tal lei e a tal indicação ministerial pelo recém-eleito Presidente Jair Bolsonaro?

Nossa “tolerância” no que se refere ao uso de agrotóxicos no Brasil é 5 mil vezes mais elevada do que a que é permitida pela União Europeia! Não duas, ou três vezes maior, mas sim, 5 mil vezes maior! As consequências desta mudança podem não nos afetar diretamente num período a curto prazo, mesmo que em alguns lugares do Brasil, já existem casos de fetos acefálicos, deformações genéticas, um crescimento radical de certos tipos de câncer que afeta principalmente os trabalhadores rurais, os operários das usinas de fabricação de veneno; e obviamente, os consumidores, vocês, eu, nós!

Não temos mais comida em nossos pratos, ao invés disso aquela alface verdinha – bom, ele continua verdinho e lindo – mas contém mais venenos que desconhecemos os impactos e efeitos a longo prazo no corpo humano, mesmo tendo vários estudos realizados no Brasil e no mundo que mostram que os agrotóxicos não são ideais! No Brasil, segundo a Fiocruz, mesmo com a grande subnotificação, dada a falta de recursos à vigilância em saúde, o crescimento do número de casos de intoxicação por agrotóxicos nos últimos dez anos foi de mais de 100 mil casos, com pelo menos 3.500 mortes!

Se pararmos para pensar – de forma etimológica – AGRO + TÓXICO, o sufixo “tóxico” já diz muito por si só sobre tal produto, não é mesmo?

Precisamos levar igualmente em consideração os impactos e efeitos nocivos que tais produtos causam, já causaram – e com o afrouxamento do uso imoderado de agrotóxicos – causará nos ecossistemas brasileiros e mundiais.
E não adianta fazer um grande boicote para pararmos de consumir os alimentos que são produzidos no Brasil, os venenos estão por toda as partes, do tomate ao arroz, do feijão à maçã, e por extensão, na carne também, pois a maior parte da produção agrícola do Brasil não é destinada para o consumo humano, mas sim do gado, para a produção de carne!

Já disse uma vez, e repito, limitar o consumo de carne é vital por diversas razões, e principalmente neste momento, pois se limitarmos o consumo de carne, a quantidade de culturas de soja e milho com agrotóxicos será automaticamente reduzida para a alimentação do gado, e desta maneira, essas áreas poderão ser futuramente ocupadas com culturas de ALIMENTOS para nós, humanos.

Já que o boicote não é uma solução, o que podemos fazer? Protestar de todas as formas possíveis, assinando petições, enviando mensagens para os deputados que acabamos de eleger, fazendo pressão e lutando contra o veneno em nossos alimentos. Para àqueles que podem cultivar seus legumes e vegetais em casa, hoje existem mil e uma possibilidades de se fazer, até mesmo para aqueles que moram em pequenos apartamentos, e o custo não é alto! Outra solução pode ser comprar de produtores locais, ou de hortas urbanas, e quando possível optar por produtos orgânicos (mas cuidado, olhem bem se o selo e o credenciamento de tal produto o certificam como sendo realmente “orgânico”!).

Não podemos deixar que um governo, que uma ministra, que a Musa do Veneno, coloquem mais agrotóxicos em nossos pratos! Basta! Pela nossa saúde, pela saúde do planeta e pela continuidade da raça humana: vamos lutar contra os agrotóxicos!

 

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Crédito foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados – Futura Ministra da Agricultura – Deputada Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias

 

J.G.P.A – 11/11/2018 – Americana, SP – Brasil

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