AOS QUE SE FORAM, AOS QUE FICARAM, AOS QUE VIRÃO

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“Nós sempre choramos por aqueles que partiram, mas por quê não podemos ser felizes pelas pessoas que ficaram”

 

Não sou um adepto das ditas “frases de efeito” ou “frases motivacionais” que vemos todo o tempo em bares, restaurantes, nas ruas, nas mídias e principalmente nas redes sociais. Muitas delas são vazias de sentido, mas chegam carregadas com o objetivo de melhorar nosso dia e de nos motivar, como se o simples fato de ler tais frases alteraria algo e afastaria toda a tristeza e ingratidão daquele momento. Ora, essa semana me deparei com uma dessas frases compartilhada por uma amiga e por incrível que pareça aconteceu algo que fazia muito tempo que não ocorria, essa frase cativou minha atenção e me fez refletir durante horas e horas.

 

Normalmente frases dessa categoria não me chamam a atenção, mas desta vez foi diferente, e por um bom momento discuti o sentido da frase com essa amiga. De fato, percebi que por ter vivenciado perdas recentes que tal afirmação fazia ainda mais sentido no contexto atual da minha vida. Realizei que efetivamente tenho (temos) a tendência de “chorar” por ter perdido alguém em nossas vidas e raramente somos gratos pelas pessoas que nos entornam.

 

Então pensei que existem – no geral – duas formas de perdemos alguém de nossas vidas, a primeira que não é nada mais que o ciclo da vida e da natureza: a morte. E a segunda, pessoas que entram em nossas vidas em um determinado momento e depois por diversas razões se vão. Nos dois casos nos sentimos tristes e desolados, não sabemos lidar com perdas, e a saudade é onipresente. Nos culpabilizamos e o sentimento de arrependimento nos domina com a seguinte formulação do “e se…?”. Nos colocamos em questão e pensamos que se tivéssemos a oportunidade, faríamos algumas coisas de maneira diferente, porém não podemos voltar no tempo e mudar o passado. Os “e ses” da vida são apenas resultados de nossas frustrações e decepções que não podemos aceitar com facilidade.

No caso da morte, não há nada que possamos fazer, só podemos aceitar e quando aceitamos que a morte é inata à vida, precisamos transformar nossas lágrimas e tristezas de ter perdido alguém em memórias boas, em saudades dos bons momentos e das deliciosas discussões. A morte de uma pessoa querida não é fácil de aceitar, mas todos nós passaremos ou já passamos por essa experiência um dia. As lembranças são mágicas, pois quando pensamos naquelas pessoas que nos deixaram somos tomados pela nostalgia e ao mesmo tempo pela alegria e devemos agradecer pelos momentos que nós desfrutamos com nossos mortos, que um dia foram pessoas muito vivas e presentes em nossas trajetórias.

No segundo caso, o arrependimento de ter “deixado” alguém ir embora de nossas vidas, o sentimento de culpa nos leva a pensar que “se tivéssemos” feito e agido diferentemente, talvez aquela(s) pessoa(s) não teria(m) nos deixado. E assim choramos e pensamos e nos culpamos, mas já é tarde, pois não há nada que possa ser feito para mudar as despedidas da vida. Afinal, a vida é de fato como aquela canção de Maria Rita, feita de “encontros e despedidas”.

Por isso, não devemos chorar por aqueles que se foram e sim agradecer pelos momentos e memórias que tivemos com essas pessoas. O que devemos fazer é agradecer pelas pessoas que ficaram e que estão aqui do nosso lado, nos acompanhando, guiando, nos fazendo rir e chorar, nos amando… Dos mortos e daqueles que se foram guardamos as recordações em nossas mentes e corações, mas precisamos ser mais gratos e agradecidos pelas pessoas que estão à nossa volta e que fazem parte de nossas vidas. A gratidão deve ser um exercício diário que precisamos praticar com mais frequência. Sejamos gratos por aqueles que estão conosco e por aqueles que ainda virão…

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