DIA DOS (DE TODOS OS) ANIMAIS

St Fr
Crédito imagem: Instituto Dom Barreto

 

 

Ontem, dia 4 de outubro foi celebrado o “Dia dos Animais” e, não por pura coincidência, esta data coincide com o dia de São Francisco de Assis. O santo foi amante e defensor dos animais durante toda sua vida. Amar a natureza e celebrar esta data não pode se limitar apenas na prática (que eu mesmo faço com frequência) de tirar fotos ou as famosas “selfies” com flores, árvores e os animais de estimação. Amar a natureza – como amar tudo aquilo que está ao nosso redor – deve sempre ter como base e princípio o RESPEITO. O amor aos animais – como todo outro tipo de amor – deve ser completo e absoluto, sem condições. Não posso amar meu cão de companhia e detestar ou maltratar o animal do meu vizinho; sou assim levado a idolatrar todos os animais, inclusive o do meu vizinho. Temos de fato uma enorme – e errônea tendência – a desligar nossa imagem como seres humanos dos animais, e esquecemos que também somos animais! O dia dos animais então seria não apenas o dia do cachorro, do gato, da vaca, do porco, mas igualmente o dia dos seres humanos.

 

Nós nos comportamos de forma tão impositiva e dominante, como se fossemos os “reis” do nosso planeta, a espécie dominante, sapiente e inteligente, e assim nos desligamos, munidos de um assustador automatismo, das outras espécies. Graças à nossa evolução genética, social, religiosa e cultural, nos colocamos no topo da pirâmide como seres que dominam o planeta. Entretanto, este cenário nem sempre foi verdadeiro, milhares de anos foram necessários para que nós pudéssemos alcançar o topo da cadeia alimentar, social e civilizatória em nosso planeta. Não foi uma evolução da noite para o dia, longe disso, este processo durou milhares de anos e ainda continua acontecendo a cada instante.

 

Construímos grandes metrópoles, criamos plantas e seres vivos geneticamente modificados, hoje tudo (ou quase tudo) é possível ser desenvolvido em um laboratório. Mas, neste aspecto, peço cautela porque a Ciência moderna existe apenas há 500 anos, e nem tudo por ela pode ser explicado. Infelizmente, nossa própria sapiência está sendo ameaçada, e não pela existência de seres sobrenaturais que virão de outros planetas para nos dominar e escravizar, e sim por nós mesmos. A única espécie do planeta munida da RACIONALIDADE é também aquela que tem o poder de criar e modificar seu meio, habitar áreas remotas, como topos de montanhas ou grandes desertos (vide: Las Vegas). Ao mesmo tempo, somos destruidores do nosso meio, da Amazônia, do Cerrado, dos recifes de corais, dos Oceanos e assim por diante.

 

Somos “criadores-destruidores”. Algo tão paradoxal! Construímos em uma velocidade assombrosamente acelerada e, nesta mesma velocidade, também destruímos. Precisamos de fato pensar e refletir todos os dias sobre nossas práticas, e acredito que a data de ontem tem uma extrema importância para a reflexão. Somos seres racionais e inteligentes, do gênero sapiens, da espécie Homo, o que nos dá a possibilidade de rever certos conceitos e práticas que podem, não apenas levar à extinção e à destruição de outros animais, como a nossa própria ruína e desaparecimento.

 

Um lugar que tive a oportunidade de visitar que me fez pensar e refletir bastante sobre o meu “eu” e minhas práticas foi a incrível cidade de Assis, na Itália, que leva o nome de São Francisco. Nela viveu o homem que pregou suas crenças, de protetor dos homens, dos animais e da vida. Não importa de qual religião ou crença nós pertencemos, é inegável a quantidade de energias positivas que fluem naquela cidade. Cada canto tem uma história diferente, cada pedra vem até nós e nos conta um conto. De fato, é um lugar repleto de espiritualidade, paz e a cima de tudo de reflexão.

Não precisamos acreditar na existência de São Francisco de Assis para podermos sentir esta energia e positividade que flui nas ruas desta cidadezinha do interior da Itália, mitos e/ou fatos religiosos que lá existem dependem apenas de nossas crenças; mas é inegável que existe uma enorme energia positiva neste lugar. Não precisamos então acreditar na figura do Santo para refletir.

 

Assis.jpeg
Crédito foto: João Guilherme Pozzi Arcaro – Assis, Itália

 

Em síntese, o dia de São Francisco de Assis e o dia dos animais, me leva às seguintes reflexões sobre o que é amar os animais:

 

  • Amar TODOS os animais;
  • Denunciar maus tratos que são cometidos contra os animais;
  • Não maltratar os animais;
  • Não destruir o habitat natural dos animais;
  • Não consumir carne de maneira excessiva;
  • Não abandonar os animais;
  • Não torturar os animais;
  • Não amar um animal apenas pela sua “beleza” ;
  • Não utilizar acessórios ou vestimentas tendo como matéria prima o couro ou a pela de animais;
  • Não contribuir para a caça ilegal;
  • Não comprar animais exóticos (que na maioria das vezes são frutos do tráfico de animais exóticos e silvestres);
  • Não apoiar a caça;
  • Não poluir o meio ambiente com lixo;
  • Não praticar consumo excessivo de todo e qualquer produto;
  • Não utilizar cosméticos que são nocivos para os animais;
  • Não consumir produtos que são testados em animais;

A lista poderia ser mais exaustiva e longa, porém vou me ater a estes argumentos, e gostaria de deixar um último conselho, caso você tenha um animal e não possuí mais o tempo necessário para cuidar dele ou os meios econômicos necessários: NÃO PRATIQUE O ABANDONO. Procure pessoas,entidades, ONGS, que possam dar os cuidados que seu animal merece. Abandonar um animal é ser contra à vida, é uma atitude covarde e desrespeitosa tanto do ponto de vista ético e moral quanto da humanidade que em nós reside.

 

E talvez o conselho mais difícil de ser aplicado é o seguinte: amar os animais implica também amar os outros seres humanos, pois como anunciado no início, somos todos animais. Não pratique o ódio, o preconceito, a raiva contra outros seres humanos, se for incapaz de amar a todos, ao menos não maltrate, não descuide e não desrespeite! Sei que é impossível amar todos os seres humanos do planeta porque possuímos convicções morais e modos de ver o mundo completamente diferentes, e somos diferentes uns dos outros, mas isso não me dá o direito de praticar e disseminar o ódio, a guerra de classes, preconceitos contra uma determinada raça, etnia, religião, nação.

 

Ame mais, odeie menos. Viva os animais! Viva São Francisco de Assis!

 

Altar S Francisco.jpeg
Crédito foto: João Guilherme Pozzi Arcaro – Altar a São Francisco de Assis

J.G.P.A – 05/10/2018 – Americana, SP – Brasil

 

 

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