UMA MUDANÇA NECESSÁRIA

 

VEGGIE
Créditos imagem: Instagram @alimentosveg

 

Ontem, dia 1º de outubro de 2018, uma data importante que pouco foi mencionada, falada ou comentada; entendo os motivos pelos quais tal data não foi devidamente divulgada e sua importância foi abafada: as mídias, assim como o conjunto da população (ao menos no Brasil) estão focadas e preocupadas com o evento do próximo domingo dia 7 de outubro, quando ocorrerão as eleições em nosso país. Entretanto, no meio desta confusão política, partidária, acredito que uma outra reflexão merece ser feita, discutida e colocada em pauta; em relação aos nossos hábitos e à nossa maneira de viver. Ontem, foi o dia Mundial do Vegetarianismo – mesmo eu tendo aderido a pouco a tal movimento, desconhecia que esta data existia e tampouco era comemorada no mês de outubro – antes de mais nada, gostaria de deixar explícito que o propósito deste texto não é de julgar, condenar nem tentar “converter” a leitora ou o leitor a aderir ao vegetarianismo; como todos os escritos desta plataforma, os objetivos são sempre levantar questões para caminharmos em direção à uma reflexão.

 

Não busco pregar nem difundir um “radicalismo” sobre ser vegetariano, contudo tenho a convicção que refletir sobre o assunto e nossos hábitos relativos ao consumo de carne seja necessário e de extrema importância. Por questões e problemas claramente ambientais em primeiro lugar, em seguida pela nossa própria saúde, devemos tentar modificar e alterar nossos hábitos em relação ao consumo da carne, para podermos então migrar para um tipo de consumo mais consciente e “eco responsável”.

 

Nunca pensei que um dia estaria escrevendo sobre e, muito menos, aderindo ao vegetarianismo, pois sempre tive um certo preconceito e ideias construídas sobre tal prática. Consumia carne todos os dias de maneira desenfreada, sem escrúpulos, nem reflexão. Era presunto no café da manhã, o bife “sagrado” da hora do almoço, aquela deliciosa coxinha de frango no café da tarde e um saboroso escondidinho de carne seca no jantar. Consumia carne em média quatro vezes ao dia, tanto pelo sabor como pelo prazer, mas também pela falsa e difundida ideia de que “o homem precisa de proteína animal que apenas a carne pode fornecer”; grande mito que já foi provado cientificamente que tal crença não é de toda verídica. Os churrascos – tanto adorados pelos brasileiros, mas também pelos nossos vizinhos uruguaios e argentinos – de cada domingo, quilos e quilos de carne vermelha ou branca. Um consumo sem um toque de reflexão de minha parte durante 24 anos da minha vida. Nunca havia parado para pensa sobre os motivos dos vegetarianos para aderirem à tal prática. Mas com a chegada da faculdade, a convivência com vegetarianas e vegetarianos, prática cada vez mais frequente e crescente na Europa, percebi que eles não eram “monstros verdes, comedores de mato, “com uma grande deficiência em proteína”; entre tantos outros preconceitos que possuía.

 

Mas quando parei para pensar, com um certo desligamento dos meus preconceitos e ideais, pude deixar de lado “minhas verdades” e aprendi a dialogar com os outros e a me interessar sobre “ser vegetariano” com mais sabedoria e objetividade.

 

 

    Primeira reflexão: a proveniência da carne. Sim, parece um pensamento tolo, mas sim, a carne é um animal que nasce, engorda e quando atinge um certo peso é abatido para ser comido, por nós humanos. Eu estava então comendo animais mortos que nasciam em grandes ou pequenas propriedades agrárias com o único objetivo de morrer para em seguida me alimentar e agradar meu paladar. Não podia mais pensar de maneira diferente e continuar colaborando com tal barbárie.

 

    Segunda reflexão: precisava mesmo de tanta proteína animal proveniente da carne? Se eu parasse de consumir carne ou ao menos diminuísse eu me tornaria “verde”, “fraco”, perderia “massa muscular”? Fui me informar em diferentes fontes e horizontes sobre tais conceitos e descobri que poderia muito bem viver sem a carne, que “tal produto” não fazia parte da base da nossa alimentação. Curiosidade histórica: as primeiras grandes civilizações da Humanidade não consumiam carne, elas procuravam lugares para se instalar ao longo de rios e afluentes para produzir…GRÃOS! A caça era rara e pouco praticada, e quando um animal era abatido, o objetivo primeiro não era para à alimentação e sim para proteger as pessoas. Comer tal animal viria então como uma consequência da sobrevivência, e não como o objetivo central da caça.

 

    Terceira reflexão: se estava me alimentando de animais, logo estes também precisariam de comida. Soja, milho, grãos em geral, propriedades latifundiárias gigantescas de monocultura para produzir alimento aos animais que “virariam” carne mais tarde. Áreas enormes dedicadas à produção de alimento para os animais substituíam as florestas, causavam impactos ambientais, forçavam o aumento do uso de agrotóxicos, e consumiam uma quantidade inimaginável e incomensurável do nosso bem mais valioso: a água. Tudo isso junto me levou à uma outra reflexão – como um sociólogo desta vez – sobre o impacto social da criação de animais destinados à alimentação e a redução de áreas cultiváveis para a produção de alimentos para nós humanos.

 

Todos se recordam da alta dos preços de feijão, tomate entre outras leguminosas e hortaliças enquanto o preço da linguiça (por exemplo) continuava o mesmo. Uma pura e simples equação matemática – que mesmo eu, sendo de humanas – consegui absorver: quanto mais áreas dedicadas ao plantio de alimentos no intuito de alimentar os animais para o consumo humano, menos áreas haverão para cultivar outros tipos de alimentos que nós precisamos e que constituem a base de nossa alimentação, como o feijão.

 

   

Quarta reflexão: adicionando-se o impacto social, ambiental e as outras razões citadas acima, posso agora fazer uma síntese de todos esses pensamentos. O consumo de carne é nocivo para o meio ambiente, é nocivo para minha saúde, é uma torneira gigantesca de água sendo utilizada sem atenção. O exagero e o consumo desenfreado de carne causariam então a escassez de outros alimentos no planeta. Já sofremos sim de um grande problema de uma vasta população ocupando a superfície de nosso planeta (aproximadamente 7 bilhões de serem humanos) dentre os quais muitos já sofrem da falta de água e alimentação. As populações locais e suas particularidades, em muitos lugares do mundo, dependem totalmente da agricultura regional de pequena escala para suas sobrevivências; tribos africanas, comunidades indígenas americanas, entre outras; estes grupos – que não representam uma pequena parcela da população mundial, como tendemos a crer – são os mais frágeis face ao uso indiscriminado e perigoso da terra que lhes provém comida quando ocupamos estes territórios para plantios de monoculturas visando à alimentação de animais para se produzir carne. Estas populações já sofrem tais consequências e continuarão assim se nada for feito por nós para alterarmos e modificarmos nossos hábitos em relação ao consumo do produto.

Como anunciado no início deste texto: o objetivo não é convencer, nem converter pessoas para aderirem ao vegetarianismo, mas incitar uma reflexão sobre tal prática e sobretudo sobre o consumo irresponsável de carne que fazemos cotidianamente. Uma boa maneira de começar tal ponderação é contando quantas vezes por dia eu faço o consumo de carne, e quantas delas são por hábito ou por “prazer”. Uma segunda dica é buscar outras fontes de proteína animais para suprir as necessidades do organismo.

E o mais incrível – ao meu ver – na redução (no meu caso na abolição) do consumo de carne é a cortina que se abre diante nossos olhos, nos levando a procurar e descobrir “novos” alimentos ou alimentos com os quais nós não estávamos habituados, ou talvez nunca havíamos provado. De fato, é um grande desafio e esforço, reconheço, mas as recompensas e os benefícios são tantos, que embarcar nessa onda do vegetarianismo (ou ao menos reduzir o consumo de carne) é adotar um estilo de vida mais consciente para com o planeta, para com o meu corpo, para com os outros seres humanos e animais, para com a fauna e a flora – que são tão ricas e tão frágeis ao mesmo tempo. Reduzir o consumo de carne não é

uma opção, é uma mudança de hábito que nos é imposta se queremos ver a aurora das nossas civilizações e a preservação do nosso planeta…

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