XXIX – IX – MMXVIII

ELENAO
Ato #EleNão em Lyon, França. Créditos: MídiaNinja

 

Dia 29 de setembro de 2018, data que entrará para todo o sempre na História. A crônica desta semana irá tratar breve e sinteticamente os eventos  tão importantes e, ao mesmo tempo, alarmantes dos tempos em que vivemos.

O ano é de 2018, não estou falando das décadas de 30,50,60,70 onde movimentos como o de ontem aconteciam e lutas encabeçadas por mulheres e, por elas lideradas, aconteciam para reivindicar direitos básicos –  tais como – a igualdade entre homens e mulheres, o direito ao aborto, salários iguais entre os sexos, direito ao voto, entre outras lutas que se tornaram conquistas femininas. Mas aqui estamos nós novamente –  repito – o ano é de 2018 e ainda há muitas lutas e batalhas a serem travadas e vencidas.

Considero, entretanto, que o movimento do dia de ontem já é uma vitória em si! Milhões de mulheres organizaram protestos e manifestações por todo o Brasil e também em todos cantos do mundo. Isso me enche de esperança e de orgulho, por muitas cidades por onde já vaguei, vi que as mulheres se organizaram para lutar, para dizer não ao retrocesso. Cidades como São Paulo, Paris, Lyon (onde morei uma grande parte de minha vida), Milão, Roma, Berlim…e por aí em diante. Mulheres brasileiras e estrangeiras unidas em uma só causa.

União foi a palavra da vez desta data tão marcante.  Todas unidas em uma só voz, não contra um candidato ou uma pessoa; e sim contra ideias e ideais retrógrados e vis, até mesmo malévolos – ouso dizer sem hesitação. Mulheres de todas as raças, cores, classes, religiões, afiliamentos políticos – esquerda, centro, direita – todas estavam lá, tomando as ruas e lutando. Uma luta tão inspiradora –  de fato  organizada por mulheres -, mas que levou também homens, cidadãos, indivíduos de variados grupos e diferentes esferas sociais; deixaram suas convicções pessoais para lutar e combater um mal crescente e um potencial perigo que representam certas ideais e programas de um possível governo, que levar à destruição e ao retrocesso no que diz respeito aos direitos das mulheres e aos Direitos Humanos em geral.

 

 

#EleNão, essa foi a voz das ruas, mas afinal quem é “ele”? Ele não é apenas um candidato à presidência do meu país (Brasil), ele é a somatória de ideias e conceitos antivida, anti-humanidade, antidireitos. Ele é o aglomerado de ideais racistas, misóginas, homofóbicas,violentas e que dissemina o ódio ao invés do amor; que privilegia a “guerra” e o “apartheid” ao invés da união. Um homem da velha política que defende a tortura, nega a existência dos “Anos de Chumbo” onde muitos padeceram e muitos outros sofrem as consequências de tal regime até hoje, um marco na História do Brasil que nunca será apagado.

 

#EleNão é de fato uma voz, não apenas contra este candidato, mas um grito contra todos os homens e mulheres que defendem tais ideias e pregam “valores” (enfatizo com aspas) duvidosos e inescrupulosos. Mulheres ao longo da História já fizeram a diferença e continuam fazendo e assim continuarão para sempre! Não deixaremos a voz das ruas ser silenciada, não deixaremos a voz das mulheres ser calada. Afinal, estas guerreiras representam não somente a maior parte de nossa população ( 52%) mas, também, força, luta e esperança. Em 2018 é inconcebível pensarmos que as mulheres são frágeis, fracas quando são comparadas aos homens, por isso além do #EleNão, acrescento o inspirador #LuteComoUmaGarota.

Por quê aderi ao movimento destas mulheres maravilhosas, guerreiras e heroínas? Por quê sou #EleNão? Não é uma questão de pertencer à uma determinada ideologia política; não é modismo; não é vitimismo; não é rebeldia. Eu decidi aderir a este movimento bem antes deste tomar forma, há aproximadamente dois anos, quando este futuro possível presidenciável divulgou suas intenções de chegar ao Planalto. Ao mesmo tempo em que Donald Trump tinha sido eleito Presidente dos Estados Unidos da América.

Eu aderi ao movimento por razões éticas que me fazem pensar, refletir e cultivar um senso crítico para saber que “ele” não pode ser a única solução para a “minha pátria amada, idolatrada”. Aliás, não acredito que nenhum candidato seja a solução para o nosso país, a solução real somos nós, cidadãos, indivíduos, atores sociais, brasileiros e brasileiras – natos ou naturalizados. Nós somos a esperança e devemos ter isso em mente, não precisamos de heróis, não precisamos de salvadores da pátria, pois estes somos nós mesmos!

Um fato que me abriu ainda mais os olhos e me fez repensar e refazer a crônica desta semana – que já estava pronta por sinal – foi um conjunto de experiências que realizei em diversos estabelecimentos educacionais onde tive a oportunidade de conversar com professores, alunos, coordenadores, diretores, funcionários… E fiquei pasmo com os relatos que ouvi e que me foram passados – por razões óbvias de sigilo, não citarei todas elas, nem os nomes (tanto dos estabelecimentos, como dos funcionários) – que me deixaram ainda mais pensativo e motivado para integrar o movimento.

 

Um destes relatos foi o de que havia uma mentalidade enraizada de desrespeito às mulheres, professoras, funcionárias e principalmente alunas (em sua grande maioria). Tal desrespeito é propagado e difundido de várias maneiras entre elas a formação de “corredores da morte”(ou corredores Poloneses) onde alunos do sexo masculino “dominam” os dois cantos dos corredores das escolas e perseguem com seus olhares as alunas, “devorando-as com os olhos”, proferindo palavras ofensivas e de baixo calão. Faltando com respeito às alunas – que em pouquíssimos casos – ousam a falar sobre tais problemas e insultos com seus pais, professores e coordenadores; a maioria delas – por medo, ou outras razões plausíveis – guardam estas sensações de insegurança e desrespeito para elas mesmas não se abrindo e não dividindo com outros indivíduos  estes atos dos quais são vítimas.

 

Vejo aqui um exemplo claro e clássico de falta de ética e moral, onde o “homem viril” agindo como “animal predador” observa e desrespeita sua caça, como se estas alunas fossem suas presas.  Penso no sofrimento de cada uma destas alunas que passam por isso. Mas fui além deste caso – não isolado – desta escola e vi que o que está acontecendo lá atualmente é apenas um reflexo, um espelho da sociedade que está fora da escola, é a transposição de valores machistas e desrespeitosos vindos da sociedade para dentro do ambiente escolar. Sem querer minimizar o que acontece neste estabelecimento, pude perceber que milhares, milhões de mulheres no Brasil e no mundo sofrem este tipo de assédio  várias vezes ao dia.

 

 

Outras apanham, sofrem todos os tipos possíveis e imagináveis de violência: moral, psicológica, física… Muitas delas… Morrem. São assassinadas por homens, estes que falam “é só uma brincadeira”, “é apenas uma piada”. O machismo está sim presente no quotidiano das brasileiras e de todas as mulheres do mundo. Machismo fere, machuca, deixa sequelas; O MACHISMO MATA! Por isso que a figura de um Presidente não pode ser aquela que desrespeita as mulheres, que as trata de nomes injuriosos e pejorativos, que faz apologia ao estupro, que coloca as mulheres em um nível inferior ao dos homens dentro da sociedade. Por esta razão e por outras dezessete (que cito logo abaixo):

 

#EleNão

 

17 razões do por quê #Elenão:

#EleNão: porque  mente;

#EleNão: porque  é machista;

#EleNão: porque  é misógino;

#EleNão: porque  defende a tortura;

#EleNão: porque defende a segregação;

#EleNão: porque é racista;

#EleNão: porque é homofóbico;

#EleNão: porque é sinônimo de retrocesso;

#EleNão: porque não respeita “as mina”;

#EleNão: porque não tem um projeto para governar;

#EleNão: porque é antidemocrático;

#EleNão: porque dissemina o ódio;

#EleNão: porque faz apologia à violência;

#EleNão: porque não defende os Direitos Humanos;

#EleNão: porque não respeita as minorias;

#Elenão: porque não respeita a natureza;

#EleNão #EleNunca

 

J.G.P.A – Americana, SP – Brasil, 30/09/2018.

Anúncios

Um comentário em “XXIX – IX – MMXVIII

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s